Palácio da Bemposta

Após enviuvar de Carlos II de Inglaterra, a infanta D. Catarina de Bragança, filha de D. João IV, decide regressar em 1693 a Portugal e estabelecer-se em Lisboa. Em 1701 escolhe e adquire o Campo da Bemposta para edificar a sua residência, estando a obra a cargo do arquiteto João Antunes. O arquiduque Carlos da Áustria, pretendente ao trono de Espanha e, posteriormente, o oitavo imperador da Alemanha com esse nome, residiu no Paço da Bemposta durante o ano de 1704, pelo que as obras tinham já sido concluídas. No ano seguinte falecia D. Catarina de Bragança, sendo a Bemposta transferida para a Coroa portuguesa. Em 1707, D. João V procede à doação do paço à Casa do Infantado.
O terramoto de 1755 provocou alguns danos no palácio, fazendo ruir parte considerável da sua capela, que veio a ser reedificada. Em 1824, D. João VI residia neste palácio, quando se deu a importante reunião com os políticos e diplomatas que impediram os intentos absolutistas do infante D. Miguel. Após o triunfo dos Liberais em 1833, D. Pedro IV fez dela a sua residência. No ano de 1849 é extinta a Casa do Infantado, sendo o palácio destinado ao Ministério da Guerra, que o converteu na Escola do Exército, atual sede da Academia Militar, ao mesmo tempo que parte da sua cerca era cedida ao Instituto Agrícola.
O palácio apresenta linhas austeras e proporcionadas, sem grande ostentação nos seus três corpos articulados, influenciado ainda pela severidade do Barroco nacional seiscentista. O seu átrio apresenta azulejos de Jorge Colaço realizados em 1918, com motivos bélicos, temática que está presente nas demais obras de arte que decoram as diversas dependências do palácio. A capela é obra de Manuel Caetano de Sousa, que a reconstruiu na sua quase totalidade, sendo consagrada a N. S. da Conceição. O seu interior apresenta uma sinfonia de cores magistralmente orquestrada e composta pelas pinturas dos tetos em "trompe l'oeil" de Pedro Alexandrino, os mármores coloridos das paredes, a douradura dos retábulos, as madeiras policromas das varandas e do orgão, as sagradas esculturas de vulto dos artistas da escola de Mafra, José de Almeida e Barros Laborão, para além do grande painel de N. S. da Conceição (1783), provavelmente pintado pelo italiano José Troni.
Do seu rico espólio artístico destacam-se ainda a magnífica preciosidade barroca que é a Custódia da Bemposta, e a pintura "Fonte da Vida", tábua quinhentista de Hans Holbein, obras-primas da arte em Portugal e que se encontram no acervo do Museu Nacional de Arte Antiga.
Constituindo-se como residência nobre e paço real nos séculos XVIII e XIX, o Palácio da Bemposta seria convertido e readaptado para acolher a sede da Academia Militar de Portugal.
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