Palácio de Queluz

Próximo de Lisboa situa-se um dos mais belos palácios setecentistas do País - o Palácio Nacional de Queluz. Apesar de estar ligado a diversas famílias nobres desde o século XVI, Queluz ganharia protagonismo a partir de 1654, com a sua inclusão na Casa do Infantado - instituição criada por D. João IV e que administrava o património dos filhos do rei e demais descendentes.
Residência de verão dos príncipes da casa real portuguesa, o Palácio de Queluz foi também cenário de receções e cerimónias oficiais da Coroa. Com as Invasões Francesas e a partida da família real para o Brasil em 1807, Queluz entrou num periodo de lenta decadência. Restaurado em 1933, o Palácio foi convertido em museu, sendo ainda utilizado para algumas receções oficiais da Presidência da República.
As grandes remodelações do Palácio, iniciativa do futuro D. Pedro III e que efetivaram a sua silhueta atual, foram realizadas entre 1747 e 1786. O seu arquiteto inicial foi Mateus Vicente de Oliveira, que esteve à frente do estaleiro até 1758, socorrendo-se do vocabulário formal do Barroco internacional. Realizou a Fachada de Cerimónia e adaptou várias alas do antigo palácio. Além disso, reformulou a capela. O entalhador Silvestre de Faria Lobo encarregou-se da talha dourada, enquanto André Gonçalves pintava o retábulo da capela. A segunda fase das obras foi chefiada pelo arquiteto e decorador francês Jean-Baptiste Robillon, responsável pelo denominado "Pavilhão Robillon", onde introduziu uma elegante colunata dórica, anunciadora da renovada gramática neoclássica. As grandes obras terminaram com a edificação da grande Sala do Trono, onde a decoração delicada de brancos e dourados rocaille tem a sua maior expressão.
No entanto, o Palácio de Queluz apresenta, na globalidade do seu interior, uma profusa decoração de motivos rocaille, revelando-se um paradigma - dividido em grandes salões, aposentos de dormir e outras dependências - das artes decorativas da segunda metade do século XVIII. Artistas portugueses, franceses e italianos combinaram os materiais mais preciosos e compuseram algumas das maiores criações em talha dourada, mobiliário, ourivesaria ou escultura.
Exteriormente, balaustradas, frontões e molduras contracurvadas sobre as janelas e portas animam a longa fachada posterior, que se expande para um jardim em vários terraços, onde se combinam a beleza geométrica das sebes de buxo, da policromia dos azulejos, e a proporcionalidade da pedra e do bronze das diversas estátuas alegóricas, composição realizada a partir de 1758, uma vez mais sob a direção de Robillon.
Fechando-se sobre os seus viçosos jardins, os vastos e brilhantes aposentos abrem-se à intimidade da natureza humanizada, ao mesmo tempo que são cenário para as mundanas e luxuosas festas de corte. O ambiente galante deste palácio é adensado pela riqueza dos seus mármores italianos e pelas exóticas madeiras brasileiras, combinadas com a delicadeza das pinturas e a refulgência dourada das talhas, conferindo uma extraordinária beleza a este festivo palácio de verão da Coroa portuguesa.
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