Palácio do Freixo

É mais uma marca viva da presença do artista italiano Nicolau Nasoni no Porto. O palácio data do século XVIII, mais precisamente de 1741, tendo sido mandado construir por um senhor abastado da região de Entre Douro e Minho, D. Jerónimo de Távora e Noronha, que possuía uma quinta no local (a Quinta do Freixo).
O palácio mostra a adaptação de um estilo novo e pessoal a um gosto tipicamente nacional, criando assim uma visão barroca intensa e rica, com modelações surpreendentes. O acentuado declive do terreno, à beira do rio Douro, não impediu Nasoni de tirar partido da riqueza cenográfica envolvente. Não só aproveitou este fator geográfico e natural da região de forma espetacular e ao gosto da época, como também rodeou a casa com diversos terraços dispostos em planos diferentes, constelados de belos jardins recheados de esculturas e fontanários de bom gosto barroco. Pelo seu programa decorativo, pode-se considerar o Palácio do Freixo como exemplar único na região do Porto na gramática arquitetónica barroca.Trata-se de um edifício de planta quadrangular, com quatro torreões salientes em cada ângulo, cobertos por telhados em pirâmide, muros ondulantes e várias escadarias, tanto interiores como exteriores. O maior desafio arquitetónico reside na disposição do palácio em quatro fachadas diferentes. De facto, cada fachada da casa tem um desenho distinto, sendo a que está direcionada para leste a mais movimentada. Os frontões são decorados com grinaldas de flores, medalhões, máscaras, cachos de frutos e por uma pedra de armas. No remate da fachada principal encontra-se uma balaustrada também ricamente decorada. O traçado do bloco central é semelhante ao da fachada das igrejas dos Clérigos e da Misericórdia, ambas no Porto. Tanto no exterior como no interior da casa encontramos um génio decorativo que podemos verificar nas volutas, grinaldas, jarras, nos capitéis caprichosos, entre outros pormenores ornamentais de grande valia estética. O jardim está claramente desenhado à maneira italiana, com esculturas e com uma vista magnífica sobre o rio. O interior é extremamente rico, grande parte dos compartimentos têm belos frescos, assim como belos tetos de estuque, alguns de matiz oriental. O interior é totalmente lapidado. A pintura ilusória com temas alegóricos é comum no interior do palácio, muita dela executada pelo próprio Nasoni. Obras pictóricas de sabor regionalista pontuam também os interiores do imóvel. O mobiliário era também de grande qualidade estética e decorativa, segundo a documentação, para além das faianças, tesouros argênteos, tapeçarias, candeeiros e castiçais, etc.No século XIX, o palácio foi vendido a António Afonso Velado, anunciando já alguns sinais de ruína. O industrial de farináceos promoveu algumas obras de restauro no imóvel, nem todas corretas ou de bom gosto, transformando, por exemplo, algumas divisões em depósitos de farinha!Posteriormente, ao longo de boa parte dos séculos XIX e XX, e durante longos anos, o palácio permaneceu danificado, sem qualquer tipo de uso. Os trabalhos de restauro, elaborados pelo arquiteto portuense Fernando Távora e iniciados na década de 90 do século XX, tiveram como objetivo, juntamente com uma campanha de requalificação arquitetónica e paisagística da área envolvente, valorizar mais ainda a espetacularidade construtiva e estética deste belo imóvel barroco do Porto.
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