Palácio do Raio

Obra de transição da exuberante arquitetura barroca do período joanino para a linguagem de linhas mais refinadas e assimétricas do rocaille, o Palácio do Raio ou Casa do Mexicano situa-se em pleno centro da cidade de Braga.
Esta residência foi concebida em granito, em 1754-55, pelo grande arquiteto bracarense André Soares, responsável por uma série de obras barrocas religiosas e civis do Norte de Portugal. O seu encomendante foi um rico comerciante local, João Duarte de Faria, bracarense que patrocinou as obras da Capela da Falperra nos arredores de Braga - expoente máximo da arquitetura religiosa de André Soares.
A designação de Palácio do Raio tem a sua origem no nome de um seu proprietário, Miguel José Raio, visconde de S. Lázaro e que a adquiriu em 1835. A outra denominação tradicional de Casa do Mexicano provém de exótica decoração hispano-americana, inserida em alguns trechos desta casa bracarense. As traseiras do Palácio do Raio não chegaram a ser concluídas, salientando-se na sua estrutura arquitetónica a aparatosa e simétrica fachada nobre, num dinâmico jogo com a reentrante e assimétrica decoração rocaille.
Dividida em dois pisos, a parte central do rés do chão é rasgada por um portal recortado e decorado por movimentada composição arquitetónica de túrgidas linhas contracurvadas. A ambos os lados, duas janelas, intercaladas por portas de molduras ondeadas e ressaltadas com concheados, transmitem uma dinâmica composição barroca. No eixo central do piso superior, uma proeminente e majestosa varanda de balaústres é flanqueada por monumentais e movimentadas esculturas de anjos. Sinuosas almofadas compõem as ombreiras e vergas dos balcões superiores, protegidos por varandas de ferro e sobrepujados por frontões de linhas contracurvadas.
A cornija é saliente face à planimetria da fachada, sendo interrompida no centro por soberbo e sinuoso frontão conopial, sob o qual se abriga um brasão armoriado. Remata a parte superior elegante platibanda balaustrada, interrompida por fogaréus flamejantes e quatro urnas marcando os topos das pilastras jónicas dos flancos.
No século XIX, o dinamismo e a monumentalidade da fachada barroca foram atenuados pelo revestimento de azulejos padronizados.
Como referenciar: Palácio do Raio in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-09-22 18:03:10]. Disponível na Internet: