Artigos de apoio

Palácio dos Amarais, Condes de Anadia
Na cidade de Mangualde ergue-se a Casa dos Condes de Anadia, cuja construção e enriquecimento da decoração de interiores se estende ao longo de todo um século, plasmando exemplos de variadas correntes estilísticas.
Foi Miguel Paiva do Amaral quem, a partir de 1730-40, mandou construir a casa, definindo o seu programa arquitetónico. Seu filho, Miguel Pais do Amaral, e sua esposa, D. Joaquina Teodora de Sá e Meneses, ficaram indissociavelmente ligados à casa ao redimensionarem o espaço interior através da colocação de azulejos estilo rococó. A casa ficará, posteriormente, unida ao título da Anadia, pois um neto de D. Joaquina, Manuel de Sá Pais do Amaral, casa em 1821 com a condessa de Anadia.
À fachada, longa e proporcionada, preside um ar geral de sobriedade e harmonia, marcado pelo cadenciamento de pilastras assentes em bases de molduração ressaltada. O corpo central é individualizado por porta brasonada ladeada de pilastras encimadas por mísulas que sustentam varanda ampla com janelão, coroado por frontão mistilíneo cercado de plumas e concha. Para cada um dos lados do corpo central desenvolve-se o resto da fachada nobre, organizada em dois andares animados por uma série de janelas - as inferiores, de menor dimensão, são rematadas por concha; as superiores, mais elevadas, com bandeira e vidraça ornadas de concha e frontão curvo, diferindo este apenas nos ângulos, revestindo perfil de chapéu. Na fachada que deita sobre o pátio retangular fechado, o acesso ao átrio principal é feito através de escadaria curva em ferradura, com o centro preenchido por densa caneleira que desemboca em dupla cercada, encimada por varanda com balaustrada formada por uma sequência de arcos apoiados em sóbrias colunas.
Na fachada nobre, o corpo central dá acesso a um átrio abandonado, definido por um grande arco sobre o qual se desenvolve monumental escadaria, formada por dois lanços paralelos, delimitados por corrimão pétreo. Nesta escadaria desenvolve-se ambicioso programa decorativo integrado na produção de azulejaria setecentista, colocando-a entre um dos mais belos exemplares a nível nacional, palco de cenas mitológicas e de caça. Torna-se um dos centros dinâmicos da residência - mediatizando um espaço que não é já exterior, mas que ainda não é íntimo -, prestando-se à teatralização duma vivência eminentemente barroca. Esta é incentivada pelo carácter cénico que os azulejos nos transmitem, também eles contadores de histórias "vibrantes, intrincadas em curvas dotadas de grande plasticidade" (nas palavras de Helder Carita), contracurvas, arabescos, volutas, linhas ondulantes, florões, conchas e vigorosos temas em "C", enquadrados superiormente por magnífico teto em caixotões e pintado com temática de cariz fitomórfico.
A sala principal, para a qual acedemos através de uma porta heráldica quase triunfal, é também ela de boas proporções, equilibrada, rasgada por várias janelas que se abrem a uma luz que se desmultiplica pelos belíssimos painéis de azulejos (atribuídos à Fábrica do Rato) azuis e brancos, num jogo francamente emocional que supera a sobriedade da arquitetura estruturante. Tal como a escadaria, esta sala principal é datada de entre 1730 e 1740. As restantes salas sucedem-se, vestidas com idênticos painéis, mas na sala da música os azulejos são já rococó (1780), com a inerente temática do concheado e o cromatismo avivado de amarelo forte, além do azul e branco.
Porém, a biblioteca é já eivada do espírito neoclássico, muito mais caligráfico e depurado, dotado de estantes incorporadas, teto abobadado e decoração minimalista (cercaduras, etc.). Tal como a antiga cozinha, pintada a azul e branco, encontra-se em muito bom estado de conservação.
Como referenciar: Palácio dos Amarais, Condes de Anadia in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-12-13 01:32:45]. Disponível na Internet: