Palácio e Igreja dos Freires

Próximo do Castelo de Avis, na zona nascente da vila alentejana, localiza-se o Convento e Igreja de S. Bento de Avis, também conhecido por Palácio e Igreja dos Freires - obra de grande envergadura, com algumas das suas dependências conventuais em ruinoso estado de conservação e outras reconvertidas servindo diversas finalidades. Da sua diversificada planimetria, o destaque maior vai para o amplo e riquíssimo templo, convertido em Matriz de N. Sra. da Orada em 1834, ano do liberal decreto da extinção das ordens religiosas. Em redor da igreja dispõem-se as várias dependências conventuais e o antigo palacete do Prior-mor da Ordem de Avis - sem menção artística de maior relevo.
Sede da Ordem religioso-militar de S. Bento de Avis, fundada por D. Afonso Henriques em 1162, a sua igreja tomou forma próximo do ano de 1214. Durante a sua longa história, a igreja conventual foi sofrendo reformas sucessivas que a foram modificando decisivamente - entre elas as ocorridas em 1456, a de 1499-1519, a de 1670, a de 1771 e, mais recentemente, a que se verificou em 1888.
A frontaria abre-se para um amplo terreiro, sendo rasgada por um sóbrio portal com frontão triangular interrompido, preenchido ao centro por brasão de armas nacionais e ostentando a data gravada de 1711. A fachada é ainda marcada por janelão com varanda balaustrada, encimada por um pináculo com a cruz de Avis. Lateralmente, eleva-se a quadrangular torre sineira quatrocentista, reforçada com cunhais de granito, possuindo quatro ventanas de volta perfeita com colunelos. Os quatro ângulos da torre são delimitados por idênticos colunelos, sobre os quais corre um parapeito ameado. A cobertura é feita por coruchéu octogonal, circundada por quatro outros menores. No interior da sineira desenham-se abóbadas de nervuras cobrindo os diversos pisos desta, compostas com fechos ornamentados pela cruz de Avis e o brasão do filho bastardo de D. João II e Regedor do Mestrado de Avis, D. Jorge de Lencastre.
A igreja apresenta corpo formado por uma só nave, coro alto, transepto com duas capelas e capela-mor na cabeceira. A abóbada de berço nervurada, que cobre o corpo da igreja, repousa sobre mísulas e pilastras. A nave possui quatro capelas laterais, comunicantes entre si por arcos e separadas da nave por teias de madeira assentes em bases marmoreadas.
Junto à entrada, do lado direito, encontra-se o batistério que, para além da quatrocentista e simples pia batismal, possui um túmulo de mármore do último mestre da Ordem de Avis, Fernão Roiz de Sequeira, falecido em 1433. Na parede do fundo veem-se símbolos heráldicos da Ordem, o brasão do seu mestre e uma longa inscrição evocativa. O compartimento do batistério é encerrado por uma cancela seiscentista de ferro forjado.
O coro alto é uma vasta dependência materializada nos finais do século XVII, suportada por largo arco abatido. Lateralmente, um duplo e grande cadeiral dos finais do século XVIII apresenta decoração entalhada de pau-santo e espinheiro. Dos meados de Setecentos é a enorme e ornamentada estante de pau santo.
O topo do arco cruzeiro é ornado por uma composição contendo as armas de Portugal e da Ordem de Avis. A capela-mor é obra da reforma dos finais do século XVII, possuindo um interessante retábulo da mesma época e profusamente entalhado, mas que não foi dourado, conjugando-se harmoniosamente com algumas imagens barrocas de madeira.
No transepto surgem as capelas consagradas a S. Bento, ou ao Senhor dos Passos, e ao Coração de Jesus, modificadas no século XVIII e não revelando grande interesse artístico. No lado da Epístola é ainda visível uma edícula contendo o túmulo de mármore do Mestre da Ordem de Avis, Fernando Rodrigues Monteiro.
Lateralmente, as paredes da nave abrem-se, do lado da Epístola, com as capelas de invocação a Santo Cristo e a Santo António, esta última totalmente revestida com azulejos seiscentistas padronizados, ainda com cercadura na própria abóbada. No lado contrário, do Evangelho, a Capela de S. Pedro possui um altar setecentista de madeira entalhada, abrigando-se num nicho a escultura quatrocentista de pedra policromada de S. Brás. A capela contígua tem um belo altar em mármore branco de Estremoz com veios azulados, estando numa estrutura setecentista, colocada num nicho central, a primitiva estátua da Virgem com o Menino ou N. Sra. da Orada, obra gótica de pedra policromada e datada dos finais do século XIV.
Ao longo do lajeado que forma o pavimento da igreja podem observar-se notáveis campas rasas armoriadas, algumas medievais e outras datadas dos séculos XVI e XVII, referentes às diversas e insignes figuras ligadas ao priorado da Ordem de Avis.
Dos diversos anexos e dependências, a mais imponente é a sacristia, compartimento extenso e coberto por abóbada ogival nervurada do século XV, que arranca de dez decoradas mísulas, estando os seus fechos ornamentados pelas armas brasonadas de D. Jorge de Lencastre e com o emblema da cruz de Avis. As paredes da sacristia são revestidas por silhar de azulejos setecentistas. Entre um acervo de peças litúrgicas de grande qualidade que se guardam na sacristia, o destaque vai para um notável relicário lavrado em prata, peça ímpar da ourivesaria do século XV oferecida pelo Condestável D. Pedro e que seria acrescentada por aparatosa estrutura porticada seiscentista.
Como referenciar: Palácio e Igreja dos Freires in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-05-22 03:44:40]. Disponível na Internet: