palatalização

Fenómeno fonético através do qual um segmento fónico muda o seu ponto de articulação orginário para assumir uma articulação ao nível da região do palato duro. A palatalização decorre de um fenómeno de assimilação, na medida em que um dado som influencia o som vizinho transmitindo-lhe, neste caso, a propriedade da articulação palatal. A palatalização é um fenómeno frequente na história da língua portuguesa, sendo responsável pela introdução inovadora das consoantes palatais [S], [Z], [L], [N] no português e em outras línguas românicas, já que essas palatais eram inexistentes no latim. As consoantes palatais resultaram, muitas vezes, da influência assimiladora da semivogal [j], que é também um som palatal:

i) hodie > hoje ii) invidia > inveja
iii) filiu(m) > filho
iv) venio > venho
v) passione(m) > paixão

Também ocorreu um fenómeno de palatalização na evolução dos grupos consonânticos -pl-, -cl- e -fl-, que começaram por desenvolver uma consoante africada [tS], consoante essa que veio a simplificar-se em português moderno, mas que se mantém no português do Brasil e no galego, atestando essa evolução intermédia. Os exemplos seguintes mostram já a fase final da evolução destes grupos em português moderno:

vi) plorare > chorar
vii) clamare > chamar
viii) afflare > achar

As consoantes palatais encontraram uma expressão gráfica diversa, uma vez que eram fonemas novos no contexto das novas línguas românicas saídas do latim, o que explica alguma flutuação gráfica entre línguas românicas (é o caso da nasal palatal [N], que em português se grafa como <nh>, em castelhano como <ñ> e em francês como <gn>). A flutuação gráfica é ainda visível dentro da mesma língua, se se observar a dispersão gráfica que o grafema [S] adota em português: <xaile>, <achar>, <olhos>, <raspar>. O mesmo acontece com o grafema [Z]: <já>, <ginástica>, <rasgar>.
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