Pão Partido em Pequeninos
Publicado em 1696, Pão Partido Em Pequeninos é o resultado de um homem que tem uma visão muito pessimista da vida, inculcada pelas leituras ascéticas feitas, pela vida do confessionário e pela própria relação irregular de que e fruto (o pai parece ter sido judeu) e da qual sente uma profunda vergonha.
Considerando o que é mundano profundamente corrompido, a sua prosa, eufemisticamente delicada, dá-nos conta de uma grande podridão, onde a mulher (mesmo a mãe, irmã e mesmo as freiras) tem uma grande responsabilidade. Assim, dedica os seus livros a entidades divinas e religiosas (Deus, Virgem, Santos), cuja intervenção miraculosa no mundo tem como objetivo a salvação deste.
O Céu e o Inferno são descritos com minúcia, baseando-se em textos sanos, "em visões de vários privilegiados" e na sua própria imaginação. Lugares de delícias ou de torturas, estes espaços são descritos para que o leitor possa escolher a sua conduta na terra, recorrendo ao "livre arbítrio". Caracterizado por uma narrativa curta, as suas citações escriturárias, patrísticas escolásticas, literárias e moralistas refletem já um estilo próprio que, de acordo com a estética da prosa barroca, apresenta uma variedade de trocadilhos, de jogos de palavras e de conceitos, de recursos estilísticos e de figuras de estilo, usados com muita naturalidade, imprimindo-lhe a ênfase apropriada ao objetivo a que o autor se propõe.
Detentor de uma escrita breve, o autor evita a repetição das palavras, o uso do artigo e o sentido dos contrastes ou gradações de sinónimos. Estas características, que enformam a prosa Bernardiana, são, com toda a certeza, reflexo do domínio que tinha do Latim.
Com grandes preocupações de carácter fonético, cria um ritmo crescente, evitando as sílabas repetidas, os hiatos e a monotonia que a recorrência dos mesmos timbres vocálicos e consonânticos pode provocar.
Pão Partido em Pequeninos, como muitos outros dos seus tratados ascéticos, tinha um grande objetivo pedagógico.
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