paralelismo anafórico

O paralelismo anafórico é obtido pela repetição literal de uma ou mais palavras no início de um verso ou estrofe, concentrando nesse posicionamento privilegiado a carga semântica do(s) vocábulo(s) reiterado(s). Assim, por exemplo, na cantiga de mestria de Martin Soarez Senhor fremosa, pois me non queredes, a reiteração sistemática da interrogação que farei eu, no início dos versos das últimas estrofes, sublinha a expressão do desalento do trovador diante da rejeição:
E, pois que Deus non quer que me valhades nem me queirades mia coita creer que farei eu, por Deus que mh'o digades, que farei eu, se logo non morrer? que farei eu, se mais a viver ei? que farei eu, que conselho non sei? que farei eu, que vós desamparades? (CBN 131)
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