Parque Natural da Ria Formosa

O Parque Natural da Ria Formosa foi criado a 2 de maio de 1978, segundo o Decreto-Lei n.º 45/78, ocupando uma área de 18 776 hectares. Zona húmida constituída por uma formação lagunar característica, pelos seus sapais e cordões arenosos, suporta numerosas espécies animais.

De Faro, Olhão ou Tavira vai-se até ao mar de barco, atendendo a que apenas a ilha de Faro dispõe de um acesso artificial. Atravessada a ria, encontra-se uma barreira de ilhas estreitas e arenosas.
Ao longo de 60 km de costa baixa que unem o Ancão à Manta Rota, o Parque Natural coincide com um sistema lagunar em permanente mudança, formado a partir de depósitos trazidos em suspensão pelo mar e pelas linhas de água da bacia hidrográfica do Sotavento Algarvio. O cordão dunar que o limita a sul dispõe-se em alongadas penínsulas - Ancão e Cacela - e em ilhas-barreira estreitas e arenosas - Barreta, Culatra, Armona e Tavira - separadas por barras que abrem caminho ao mar, sujeitas a contínua e lenta migração.

A ilha da Culatra, por exemplo, tem aumentado para oeste, parte da ilha de Tavira recuou, as barras da Fuzeta e de Cabanas deslocam-se lentamente e, um pouco por toda a parte, nota-se uma tendência geral para a colmatagem. A ria Formosa está em permanente transformação, o que leva a dizer que se vai formando em permanência. Esta transformação é evidente em toda a planície costeira que bordeja a ria, área densamente povoada, lugar dos mais importantes centros populacionais - Faro, Olhão, Tavira e Fuzeta - e do essencial do turismo no que ele comporta, quer como pontos de atração, quer como área construída.

No Parque Natural da Ria Formosa distinguem-se três zonas: a zona marítima (mar), a zona do cordão dunar e a zona de sapal (rio).

No que diz respeito à flora, são dois os principais interesses do Parque Natural: por um lado, os sapais - áreas submersas pela maré alta e a descoberto na maré baixa - com a sua vegetação halófita (vegetação que tolera elevados teores salinos, escassez de oxigénio dos solos e longos períodos de emersão).

Por outro lado, a flora dunar - espécies adaptadas aos ventos fortes, salinidade excessiva e grande permeabilidade dos solos - que apresenta como espécies o estorno, a arméria, o malmequer-das-praias, o narciso-das-areias e os cordeirinhos-da-praia.

Quanto à fauna do parque, a aparente pobreza da vegetação contrasta com a riqueza de que se reveste a sua vida animal. A composição e abundância do zooplâncton - conjunto de organismos animais que vivem de forma mais ou menos passiva por não possuírem capacidade de deslocação - é de importância fundamental, sobretudo na cadeia alimentar dos peixes que aí habitam.

A ria Formosa torna-se assim, para além de local de abrigo, zona privilegiada para a alimentação, reprodução e permanência de numerosas espécies animais, desde os peixes aos invertebrados, incluindo moluscos e crustáceos, servindo simultaneamente de suporte a uma avifauna diversificada. A importante variedade de habitats existentes alberga mais de 50 espécies de peixes, desde os sedentários aos de origem marinha, parte deles migradores, e de que se podem citar a dourada, o robalo, o sargo, a tainha, a enguia, entre outros.

Para além dos peixes, devem referir-se os crustáceos - o camarão-de-monte-gordo e o camarão-da-ria, o caranguejo-morraceiro e a boca - e cefalópodes, como o polvo, o choco e o búzio. Fundos baixos, temperaturas adequadas, uma salinidade elevada, águas renovadas e um substrato de fundos arenosos e argilosos são outros tantos fatores propícios à fixação e desenvolvimento das mais variadas espécies marinhas, sobretudo daquelas que necessitam de águas protegidas para efetuarem o seu ciclo normal de vida.

Devido ao facto de possuir todas estas condições a ria tornou-se local de criação no respeitante aos moluscos bivalves. Os anfíbios, grandes consumidores de insetos e, salvo raras exceções, quase sempre associados a massas de água doce, estão bem representados na planície costeira que bordeja a ria - rã-comum, rela e sapo -, enquanto o cágado-vulgar e o cágado-de carapaça-estriada estão presentes na Quinta do Ludo.

A ria é uma importante zona de invernada de aves aquáticas e limícolas oriundas do Centro e Norte da Europa, dando guarida a efetivos importantes de borrelho-grande-de-coleira, tarambola-cinzenta, maçarico-de-bico-direito, pilrito e alfaiate. A zona de água doce, por sua vez, é local de nidificação para a galinha-sultana, cada vez mais rara, galinha-de-água, galeirão-comum, mergulhão-pequeno, garça-pequena e pato-real, enquanto o caniçal constitui refúgio para uma importante população de garça-boieira.

Finalmente as salinas, sobretudo o salgado da Terra Estreita, próximo de Tavira, são locais onde se podem encontrar grandes concentrações de gaivinas e de limícolas e um dos raros locais onde se pode observar o flamingo.

Diretamente dependente da ria está a extração de inertes, sobretudo areias que, se por um lado é resultante das drenagens necessárias à manutenção das barras e canais, por outro é uma exigência motivada pelo enorme surto de construção civil existente em toda a área.
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