Parque Natural de Montesinho

O Parque Natural de Montesinho foi criado a 30 de agosto de 1979, segundo o Decreto-Lei n.º 355/79, ocupando uma área de 75 000 hectares, e integra parte dos concelhos de Bragança e Vinhais. No extremo Nordeste de Portugal, limitado a norte, oeste e leste por Espanha e, a sul, por uma linha imaginária, que se estende de Sandim a Quintanilha, passando por Vinhais e Bragança, fica definido o espaço do Parque Natural de Montesinho. Carvalhais e castinçais alternando com lameiros, campos de cultura e aldeias características são o traço essencial deste Parque.
Zona planáltica e de média montanha, apresentando uma morfologia regular, se bem que elevada, em que sobressaem as serras da Sequeira (1146 metros), da Coroa (1272 metros), de Mofreita (1147 metros), de Montesinho (1480 metros) e de Guadramil (1026 metros). Do conjunto, destaca-se a serra de Montesinho. Situado na Terra Fria transmontana, o território do Parque Natural apresenta um inverno agreste, com alguma neve, e o verão é curto e muito quente.
O Parque Natural abrange toda uma zona de nascimento de cursos de água, que convergem para o vale do Douro e cujo fulcro se situa em Espanha. O rio Mente delimita Montesinho a oeste e o rio Maçãs, a leste. Entre ambos, e de oeste para leste, correm o Rabaçal, o Assureira, o das Trutas, o Tuela e o Barceiro, o Sabor, o Igrejas e o de Onor e as ribeiras de Pereira e de Caravelas, em vales estreitos ou mais amplos. A natureza dos solos é essencialmente xistosa, aflorando por vezes o calcário, como em Cova da Lua e Dine, existindo manchas graníticas na serra de Montezinho e, no extremo ocidental, em Pinheiros. No que diz respeito à flora, a vegetação do Parque Natural é dominada pela presença de carvalhais, alguns deles dos maiores do País, de frondosos castinçais, sobretudo na região de Vinhais, prados naturais de variada composição florística, de lameiros e importantes extensões de mato. Existem manchas de azinheira, carrasco - na terminologia local - em zonas mais baixas e abrigadas, e o vidoeiro ainda é visível em altitudes superiores aos 1000 metros, nas serras da Coroa, Mofreita e Montesinho. Junto às linhas de água, surgem ulmeiros, freixos, salgueiros, choupos e amieiros.
Quanto à fauna, observa-se a presença de mamíferos como o lobo, a raposa, a fuinha, o gato-bravo, o texugo, o toirão e a lontra, a gineta, coelhos e lebres, bem como inúmeros micromamíferos, desde o rato-do-campo até à toupeira-d'água. De entre as aves, a par da ameaçada águia-real, regista-se a presença de inúmeras aves de presa, como o milhafre, a águia-de-asa-redonda, o gavião e o peneireiro. Abunda a perdiz, o pombo-torcaz, a charrela, a codorniz e o tordo, sendo a área também frequentada pela cegonha. Répteis e batráquios - tritão-de-ventre-laranja, sapo, dicoglosso, sardão, cobra-de-água-de-colar, víbora-cornuda - e peixes - a truta, a boga, o escalo e o barbo -fazem parte de um conjunto faunístico diversificado.
Quanto ao povoamento, adquire aqui um aspeto aglomerado, as casas agrupam-se em núcleos compactos. A casa é, por via de regra, retangular, com telhado de duas águas, de aspeto rude mas robusta, com uma construção que utiliza materiais e princípios rudimentares.
No que diz respeito à arquitetura, nas aldeias do Parque Natural de Montesinho apenas se encontram pequenas capelas ou igrejas de planta retangular, como em Sacóias e em Rio de Onor. No exterior, o culto religioso faz-se nas denominadas "alminhas". Os moinhos movidos pela força da água testemunham uma arte antiga no aproveitamento das energias naturais. As paredes são, regra geral, de xisto, o mecanismo de moagem encontra-se montado no piso superior, o sobrado, enquanto o rodízio que faz girar a mó se esconde no piso inferior, o cabouco, para onde a água é conduzida através de um caleiro de pedra ou por um simples tronco escavado. O forno comum, a frágua do povo, o moinho ou lagar comunitário, são outras formas de arquitetura rural que podem ser observadas no Parque Natural de Montesinho.
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