Partido Socialista (PS)

A corrente socialista está presente no movimento de ideias e na vida política portuguesa desde o século XIX, tendo existido, ainda sob a Monarquia e durante a República democrática, um partido socialista que, embora minoritário, obteve alguma representação parlamentar. Dissolvendo-se em 1931, asfixiado pelas limitações à liberdade de opinião e organização criadas pela Ditadura Militar, nem por isso deixaram de existir núcleos de ativistas que se reclamavam das ideias socialistas, enquadrados nos movimentos políticos que espaçadamente se manifestavam durante o regime salazarista do Estado Novo. Mas foi apenas nos últimos meses do curto período em que o País foi governado por Marcello Caetano que o partido foi reconstituído, num congresso clandestino realizado na República Federal da Alemanha (abril de 1973), no qual participaram militantes socialistas do interior e exilados, contando-se entre estes últimos aquele que viria a ser o seu militante n.o 1, Mário Soares. Derrubado o regime em 25 de abril de 1974, o Partido Socialista organiza-se na legalidade, Mário Soares e outros exilados regressam prontamente, ocupam cargos governamentais em vários períodos do processo revolucionário e, em conjugação de esforços com outros partidos (nomeadamente o PPD dirigido por Francisco Sá Carneiro), bate-se contra a influência crescente do Partido Comunista Português e da extrema-esquerda durante o "verão quente" de 1975. Sempre com Mário Soares na liderança, o PS forma governos monopartidários ou de coligação, obtendo número elevado de lugares nos atos eleitorais nacionais e conquistando numerosas autarquias. Mário Soares será Presidente da República em dois mandatos sucessivos, com o seu termo em 1995, ano em que o Partido, sob a liderança de António Guterres, concretiza uma vitória estratégica em numerosos domínios - obtém a maioria em eleições para o Parlamento Europeu, para as autarquias e para o Parlamento, forma um Governo monocolor (embora com a participação de independentes) e vê um seu militante (Jorge Sampaio) ser eleito para a Presidência da República.
O PS manteve-se no governo sob a liderança de António Guterres até 1999 e, depois das eleições seguintes, até 2002, ano em que, em eleições antecipadas, foi sucedido pelo Partido Social Democrático (PSD). António Guterres demitiu-se de secretário-geral do partido, tendo sido sucedido por Ferro Rodrigues. Como após a demissão de Durão Barroso, a decisão presidencial não foi a de novas eleições mas sim a de ser apresentado um sucessor do então primeiro-ministro, Ferro Rodrigues demite-se do cargo e é substituído por José Sócrates.
Após quase três anos de governação PSD, já com Santana Lopes no cargo de primeiro-ministro, o Presidente da República Jorge Sampaio anunciou a dissolução do parlamento e ficaram agendadas novas eleições para 20 de fevereiro de 2005. Nestas eleições o PS obteve pela primeira vez a maioria absoluta.
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