""Pastiche""

O pastiche inclui-se no campo da hipertextualidade, estabelecendo uma relação de transfiguração estilística baseada no decalque (por exemplo, de títulos, personagens, cenas, no texto narrativo) de um hipotexto, integrando, assim, ao mesmo tempo, os fenómenos de receção. Como a paródia, o pastiche consiste na imitação de uma obra, surgindo os dois termos frequentemente associados e sendo equívoca a sua distinção. Para G. Genette, "enquanto a paródia procede por transformação, (...) mínima, de um texto, o pastiche procede por imitação de um estilo sem qualquer função crítica ou satírica" (cf. LIMA, Isabel Pires de - "Camilo e o Fantasma do Naturalismo", in Revista da Faculdade de Letras, Porto, 1992). "Para L. Hutcheon, a distinção baseia-se na dimensão monotextual do pastiche, que acentua a semelhança e não a diferença, como faz a paródia, que é uma síntese bitextual; uma procura a correspondência, a outra a diferenciação em relação ao modelo" (id. ibi., p. 122-123).
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