Pauliteiros de Miranda

Os Pauliteiros de Miranda é um grupo de oito dançadores (quatro guias e quatro piões), três tocadores músicos e um dançador suplente que executa uma dança folclórica das terras de Miranda, em Portugal, que simula uma luta com paus. Os dançadores atuam guiados por gaita de foles, que é acompanhada por caixa de guerra e bombo ou por flauta pastoril, que é monotubular com três buracos e que é tocada com três dedos. Há cerca de cinquenta conjuntos de danças e bailados diferentes. Os pauliteiros atuam ainda com castanholas feitas à navalha, com desenhos gravados à mão.
A dança dos Pauliteiros de Miranda, apesar de bastante conhecida, mesmo a nível internacional, é de origem desconhecida. Uma das hipóteses é a de ter surgido no centro da Europa, mais precisamente na Transilvânia, na segunda Idade do Ferro, na altura como uma dança de espadas. Depois espalhou-se pela Europa Central, Alemanha, Escandinávia e Ilhas Britânicas, até chegar à Península Ibérica.
Plínio, historiador romano do século I, já falava deste tipo de danças. No século III o geógrafo latino Strabão refere que os celtiberos instalados junto ao Rio Douro se preparavam para os combates com danças guerreiras, onde substituíam as espadas por paus. Posteriormente, e ainda na Península Ibérica, romanos, suevos e visigodos conservaram estas danças nas suas festas agrárias de fertilidade. Já no século X, a Igreja Católica adotou as danças para as festas dos santos correspondentes às épocas do solstício e das colheitas. Os Pauliteiros de Miranda percorriam as povoações na época das festas religiosas para recolher esmolas, participando nas procissões para, no final, fazerem uma exibição. Outros estudiosos defendem que a origem da dança dos Pauliteiros de Miranda está nas danças pírricas, ou seja, militares, dos gregos, com a difusão a ser feita pelos romanos.
Os trajes parecem ter também inspiração militar e, segundo alguns estudiosos, poderão ser sucessores do trajo militar greco-romano.
Em 1981, os Pauliteiros de Miranda, que atuam regularmente no estrangeiro, foram distinguidos na Alemanha com o Prémio Europeu de Folclore.
Atualmente, esta tradição conta com o apoio das autarquias das terras de Miranda, que pretendem manter viva a tradição, ameaçada, também, por grupos folclóricos que não seguem à risca o espírito dos Pauliteiros de Miranda.
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