Péricles

Enquanto líder político e militar de Atenas, foi a figura marcante, na Grécia, do século V a. C. Pode atribuir-se-lhe, em larga medida, o desenvolvimento do sistema democrático ateniense, bem como o lugar de destaque que a cidade-estado ocupou naquela região. Fica ainda a dever-se a Péricles a construção do célebre Parténon de Atenas. Péricles terá nascido por volta de 495 e morreu no outono de 429 a. C., vítima da peste. Para além de que pertencia a uma família abastada de Atenas, pouco se sabe dos anos que antecederam a sua entrada na vida pública. Viria a distinguir-se como líder de uma Atenas notável pela sua supremacia política aliada a uma franca superioridade militar, e sobretudo naval, na região.
Em meados do século, com o fim da guerra contra os Persas, que se arrastara por mais de quatro décadas, e a cessação de hostilidades entre as cidades-estado gregas, Péricles pôde assumir a tarefa de reforçar a influência política ateniense na região. Fê-lo, desde logo, assegurando proteção a outras cidades-estado da Grécia, a troco de elevados tributos. Estes tornariam possível a realização de um conjunto de obras magnificentes. Deste modo, em 447 a. C. teve início a construção do Parténon (que se prolongaria por uma quinzena de anos), enquanto o escultor Fídias iniciava a sua célebre estátua da deusa Atena.
Enquanto legislador, Péricles deu um importante contributo para o fortalecimento da índole democrática do sistema político ateniense. A democracia da cidade-estado reconhecia já - no que era fundadora de uma longa e riquíssima tradição de pensamento - os princípios fundamentais de igualdade dos cidadãos e de tomada de decisões por maioria. O sistema previa, não apenas a participação propriamente política do cidadão nas assembleias e conselhos da polis, mas também a sua participação na administração da justiça. Os cidadãos eram escolhidos pelo voto dos seus iguais para os diversos cargos de magistratura, enquanto certas leis asseguravam a rotatividade no desempenho dessas mesmas funções. De qualquer forma, nesta sociedade claramente estratificada e que admitia a escravatura, apenas uma parte reduzida da população ateniense usufruía dos privilégios da cidadania, pelo que esta não deixava de ser, se julgada pelos padrões da atualidade, uma democracia limitada.
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