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personalidade múltipla
A personalidade múltipla pertence ao campo de estudo dos problemas da dissociação da consciência. Explica-se como sendo uma patologia da personalidade que se encontra fragmentada em duas ou mais personalidades, que são distintas e que possuem controlo total do comportamento do sujeito.
Os primeiros apontamentos sobre esta temática surgiram por volta de 1816 e, posteriormente, através dos casos com o pseudónimo "Juliette" apresentado pelo psicólogo clínico francês Pierre Janet e com o pseudónimo "Christine Beauchamp" descrito na obra The Dissociation of Personality (Dissociação da Personalidade, 1906) da autoria do escritor americano Morton Prince.
Ao longo da nossa vida assumimos vários desempenhos (pai, avô, professor, Investigador, etc.), a personalidade múltipla que é um caso de comportamento dissociado acontece quando tais desempenhos perdem o contacto uns com os outros ou quando uma personalidade secundária vem complementar aquilo que nos falta (por exemplo, uma pessoa que seja muito tímida e que sempre tenha sonhado em se tornar mais sociável, pode criar uma personalidade secundária que a satisfaça nesse sentido).
Existem vários critérios que explicam este tipo de comportamento. Em primeiro lugar sabe-se que apresenta um modelo de comportamento relativamente coerente, com suficiente complexidade e que possui um determinado grau de organização interna. Em segundo, o comportamento dissociado pode apresentar alguma barreira amnésica, o que significa que a personalidade A pode estar a par da personalidade B sem que esta última esteja a par de A. Em terceiro, na experiência de estar "possuído" com uma personalidade estranha pode não ocorrer uma amnésia, o que significa que as duas personalidades se podem conhecer, verificando-se neste caso uma batalha para o controlo do corpo.
Henri Ellenberger criou uma classificação das divisões de personalidade baseada nos vários casos existentes, com o objetivo de ordenar estas manifestações complexas e facilitar o trabalho do psicoterapeuta. Deste modo, apresentou quatro classes possíveis:
a classe das duplas personalidades simultâneas, que engloba os casos menos comuns, de duas personalidades que se manifestam ao mesmo tempo, cada qual com os seus sentimentos de identidade; a classe das duplas personalidades sucessivas e mutuamente cognitivas, refere-se aos casos em que ambas as personalidades se conhecem e em que não ocorre a normal descontinuidade de recordações, ou seja, são duas personalidades que se conhecem bem e desenvolvem uma relação amigável, sendo cada uma capaz de reter informação sobre a outra. Nestes casos, é usual ocorrer excessivas alterações de temperamento; a classe das duplas personalidades sucessivas e mutuamente amnésicas diz respeito às situações em que a personalidade "real" não sabe da existência de uma outra (a personalidade "criada"). Contudo, é esta segunda personalidade que assume o controlo do comportamento; e, por último, a classe das duplas personalidades sucessivas, unidirecionalmente amnésicas, engloba os casos mais frequentes de múltipla personalidade. Corresponde às situações em que, na existência de duas personalidades (A e B), A só tem as suas próprias recordações e B tem as suas recordações mais as recordações de A.
É importante comentar que uma personalidade secundária ou escondida pode, muitas vezes, ser a mais "normal", a mais ajustada e a mais saudável das personalidades.
Por fim, convém lembrar que um comportamento dissociativo de fuga não é a mesma coisa que uma das situações patológicas acima mencionadas. Uma fuga é entendida como uma dissociação caracterizada por amnésia, na qual a pessoa foge dos seus conflitos, medos ou problemas, procurando um novo ambiente e demonstrando uma ausência da realidade que a incomoda. Um estado de fuga pode ser longo (durante largos meses ou até mesmo anos) ou curto (apenas um episódio de algumas horas ou de um dia), mas quando a pessoa regressa à sua normalidade, retomando o que deixou para trás, nunca se recorda do sucedido durante a fuga.
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