Pio VII

Papa italiano, Barnaba Chiaramonti era filho da marquesa Chini e do conde Cipião Chiaramonti, tendo nascido em Cesena a 14 de agosto de 1742. Ingressou em criança no Colégio de Nobres de Ravena, tendo-se depois tornado monge beneditino em Santa Maria do Monte (Cesena). Lecionou em diversos mosteiros da Ordem de São Bento, tornou-se bispo de Tivoli em 1782 e em 1785 cardeal e arcebispo de Ímola.
O seu papado ocorreu de 14 de março de 1800 a 20 de agosto de 1823. Governou num momento especialmente difícil, uma vez que Napoleão tinha invadido Itália e pretendia anexar os territórios da Igreja, pelo que inclusivamente prendeu o anterior pontífice Pio VI. Este papa foi exaltado na encíclica Diu satis, que Pio VII emitiu na altura do seu acesso à Sede de Roma, onde sobressaía também a férrea vontade de suster a Igreja perante o avanço napoleónico, algo que se tornou a marca do pontificado de Pio VII como tinha sido já das suas atividades eclesiásticas antes de se tornar um dos sucessores de São Pedro. Dado esse estado de instabilidade, o novo pontífice apenas pôde entrar em Roma em julho de 1800. Foi então nomeado secretário de Estado da Igreja o cardeal Consalvi, cujas qualidades diplomáticas representaram um valioso apoio para Pio VII.
Entretanto, o clima revolucionário em França amainou e Napoleão dispôs-se a terminar a perseguição religiosa, uma vez que o povo mostrava uma forte inclinação para a Fé, e a estabelecer a paz nos territórios conquistados. Esta aceitação da religião católica foi apenas uma manobra política que visava o maior controlo do ramo religioso, pois uma vez que o não conseguiu extinguir decidiu que traria mais proveito para o Estado o empreendimento de negociações com a Igreja. Foi assim que em 1801 se assinou uma concordata entre França e a Santa Sede, onde entre outras cláusulas o papa aceitava a República e esta declarava o cristianismo como a religião da maioria dos franceses, sendo os seus ministros remunerados, em troca dos bens eclesiásticos vendidos durante a Revolução. Extintas as ordens religiosas, Napoleão apenas permitiu na altura da sua coroação como imperador o restabelecimento de algumas instituições missionárias, dos Irmãos das Escolas Cristãs, dos paulinos (ou paulistas) e das ordens femininas cujo objetivo era o ensino. A deificação que Bonaparte fez de si próprio e do Estado acabou com o entendimento com a Santa Sede, uma vez que substituiu a festa dedicada a Nossa Senhora no dia 15 de agosto pela do inexistente São Napoleão, emitiu um Catecismo obrigatório centrado na obediência à sua pessoa e ao Estado, invadiu a cidade pontifícia de Ancona e exigiu que Pio VII expulsasse de Roma todos os que pertencessem às nações que se encontravam em guerra com França, o que este recusou. Em 1808 o papa foi preso no palácio do Quirinal e França passou a governar os Estados Pontifícios. No seguinte ano foi deposto, algo que não aceitou, tendo por conseguinte sido levado da sua residência para Savona, onde foi impedido de conduzir a Igreja. Enquanto durou o seu cativeiro não foram feitas investiduras episcopais, o que causou uma grande instabilidade eclesiástica. Foi assim que, em 1813, Napoleão forçou o papa a assinar uma renúncia aos Estados Pontifícios em troca de uma elevada soma monetária e a ceder o direito de investidura, algo de que o pontífice se retratou mais tarde.
Entrementes foi derrotado o chefe francês, pelas forças aliadas, e no dia 24 de maio de 1814 o papa entrou de novo em Roma, onde faleceria nove anos mais tarde devido a graves problemas de saúde.
Em 1814 foi de novo estabelecida a Companhia de Jesus, assim como as restantes ordens religiosas, reestruturaram-se as missões e 1816 foram reorganizados administrativamente os Estados Pontifícios.
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