Pitágoras

Natural de Samos, na Ásia Menor, onde terá nascido nos finais do século VI a. C., emigrou para Crotona, colónia grega no Sul da Itália, e aí fundou uma escola místico-filosófica com preocupações sociopolíticas, cuja influência acabou por dominar a cidade. Atendendo ao carácter hermético da sua doutrina - no interior da escola vigorava uma regra de sigilo que considerava como crime a divulgação dos ensinamentos aos não iniciados, pelo que não existiam quaisquer escritos -, assim como à aura de profeta prodigioso que acabou por o envolver, são pouco fidedignos os relatos que dele nos chegaram, além de se tornar muito difícil distinguir o que é genuinamente de Pitágoras do que foi introduzido pelos seus discípulos.
Contrariamente aos pensadores milésios, não se dedicou a especulações sobre o arkê - princípio material das coisas -, procurando sobretudo aceder ao conhecimento das estruturas formais que regem o mundo, que se podem sumariar em três grandes vertentes: harmonia matemática, doutrina dos números e dualismo cosmológico essencial.
Com base na redução da harmonia da escala musical a razões matemáticas, inferiu que todo o Universo seria harmonia e número, criando a teoria da harmonia das esferas (o Cosmos é regido por relações matemáticas). Considerava que as coisas eram números, que os corpos eram constituídos por pontos e que os números que representavam as quantidades desses pontos lhes definiam as propriedades. Acreditou ainda que o próprio número, agente de todas as modificações, estaria na origem do dualismo Limite/Ilimitado, que representava o início do processo cosmogónico (implantação do princípio masculino do Limite no seio do Ilimitado circundante, feminino, análoga à fecundação ou deposição de uma semente no solo). Do interesse pela matemática resultaram alguns avanços científicos, sobretudo nas áreas da geometria e da aritmética (dos quais o Teorema de Pitágoras será o mais famoso).
No que diz respeito a crenças, acreditou na imortalidade e transmigração das almas, tal como no parentesco de todos os seres vivos, além de se ter dedicado à enunciação de uma série de regras éticas e religiosas que deveriam presidir à ação dos seus discípulos.
Segundo alguns testemunhos, teria sido o primeiro a usar as palavras «cosmos» e «filosofia» na aceção atual.
Apesar de a intervenção política de Pitágoras em Crotona ter sido de curta duração - os habitantes cedo se rebelaram contra o governo que instaurara -, a escola que fundou acabou por florescer e já na altura da sua morte, que deverá ter ocorrido próximo do ano de 480 a. C., se encontravam comunidades pitagóricas espalhadas por toda a Grécia, difundindo e aprofundando o pensamento do mestre, tendo contribuído dessa forma para que durante vários séculos ele fosse fonte de inspiração para muitos dos grandes nomes da filosofia.
Como referenciar: Pitágoras in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-13 05:08:38]. Disponível na Internet: