pneumonia atípica (síndroma respiratória aguda severa)

A síndroma respiratória aguda severa (SARS), também designada inicialmente por pneumonia atípica, constitui-se como a primeira nova doença, com características infeciosas epidémicas, do século XXI. A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um primeiro alerta global para esta doença a 12 de março de 2003, após lhe ter sido comunicado, a 11 de fevereiro, que na província chinesa de Guandong, desde novembro anterior, tinham ocorrido 305 casos de uma nova forma de pneumonia grave, atípica.
Após diversas investigações, uma equipa de cientistas anunciava, no início do mês de abril de 2003, ter identificado o agente responsável pela epidemia: um vírus da família Coronavírus. Os membros desta família são os responsáveis pelas vulgares e praticamente inofensivas constipações, constituindo-se o agente etiológico da SARS como uma nova variante, resultante de uma mutação ou da adaptação de um vírus que inicialmente parasitava animais a um novo hospedeiro, neste caso, o homem.
Os sintomas desta infeção são idênticos aos que ocorrem em caso de gripe, caracterizando-se por dores musculares, cefaleias, febre elevada que surge subitamente e tosse seca, podendo ainda ocorrer dores de garganta, diarreia, perda de apetite, confusão e mal-estar generalizado. Nos casos graves, podem surgir dificuldades respiratórias. Uma análise ao sangue revela um abaixamento dos níveis normais de glóbulos brancos e plaquetas. Até ao dia 6 de junho, podiam ser contabilizados cerca de 8400 pacientes infetados, sendo a taxa de mortalidade próxima dos 10%.
Devido ao facto de ser uma infeção recente, a terapia medicamentosa não é totalmente eficaz, baseando-se no combate às infeções secundárias oportunistas, hidratação, alívio dos sintomas e administração de retrovirais, ainda não específicos e, por isso mesmo, pouco eficazes face ao vírus responsável pela SARS. Os mecanismos de transmissão aparentam ser idênticos aos da gripe, isto é, através das secreções nasofaríngeas, presentes na expetoração e nas gotículas de saliva, desenvolvendo-se a infeção após um período de incubação máximo de uma semana. A maioria dos pacientes conhecem uma evolução benigna.
As probabilidades de esta infeção se constituir rapidamente como uma epidemia mundial, dada a frequência e velocidade dos meios de transporte, particularmente aéreos, e o modo de transmissão, levaram a que quase todos os países adotassem medidas de prevenção. Estas medidas centraram-se, sobretudo, na obrigatoriedade de comunicação de novos casos, no isolamento dos indivíduos infetados, no controlo e informação dos passageiros provenientes de países infetados e, nestes, na verificação da temperatura corporal dos viajantes aéreos. A OMS aconselhou ainda, no decurso da fase de expansão da doença, que, sempre que possível, fossem evitadas viagens para os locais onde a infeção apresentou maior incidência, nomeadamente, a China, onde se situam 60% dos infetados. Foram também detetados casos em outras zonas asiáticas, como Taiwan, Singapura, Hong-Kong e Vietname. O único país não asiático que até junho tinha apresentado casos desta infeção era o Canadá, com 31 óbitos registados devido à SARS.
A 5 de junho de 2003, a OMS considerava que a síndroma respiratória aguda tinha já, finalmente, ultrapassado o seu pico de expansão, após 775 vítimas mortais desde o início do seu surgimento.

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