Poemas de África

Quando surge o primeiro livro de poemas de António Navarro, o nome do seu autor era já sobejamente conhecido pela sua colaboração poética em periódicos. Prefaciados por João Gaspar Simões, os Poemas de África não coligem a obra dispersa publicada até à data, restringindo-se a ordenar uma série de poesias escritas durante uma curta permanência na então Lourenço Marques. Embora as impressões do contacto com o exotismo africano saltem para primeiro plano neste volume, a verdade é que a visão alucinada da paisagem, interseccionando numa só corporalidade o espaço, os seres e o sujeito poético - "tontura d'oiro e verde / da natureza que se desfaz em seres. / Os homens passam - negros fantasmas / a tudo isto, estranhos a tudo / deviam ser verdes, zebrados d'oiro" - confirmam, no autor de Poemas de África, a lição do modernismo do Orpheu. Por isso, no prefácio, o crítico presencista aproxima António de Navarro de Mário de Sá-Carneiro, pela contínua indiferenciação entre o mundo exterior e interior, pela "dupla capacidade para materializar o imponderável e desmaterializar o corpóreo" (SIMÕES, João Gaspar - prefácio a Poemas de África de António de Navarro, s/l, 1941, p. 11).
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