Política de Sigilo

Este termo designa uma forma de agir relativamente a todo o saber que pudesse ser útil para a expansão portuguesa adotada pelos reis D. João II e D. Manuel I. Provocando a existência desta política bastante controvérsia, parece a mesma justificar a petição feita por D. João II a Alexandre VI para que a linha divisória entre o mundo português e o espanhol no Tratado de Tordesilhas passasse não a 100 mas a 370 léguas a Ocidente de Cabo Verde. Os defensores desta tese apontam uma série de acontecimentos que a podem legitimar, entre os quais se contam as penas impostas a construtores de caravelas que venderam para fora do país, a fama que estas tinham de que, com a vela latina, eram as únicas embarcações a conseguir fazer a torna-viagem da costa da Mina, a interdição imposta à venda de cartas de fatura portuguesa, o desencorajamento à partida de pilotos para fora de Portugal, o erro de cálculo de Cristóvão Colombo, bastante elevado em relação ao de Duarte Pacheco Pereira (Colombo teria sido propositadamente enganado aquando da sua estadia em Portugal), a proibição da representação das ilhas de São Tomé e Príncipe por alvará de 1504 emitido por ordem de D. Manuel I e a inexistência no espólio do infante D. Henrique de livros de marinharia e instrumentos afins. Outros historiadores defendem que este sigilo apenas se aplicaria ao Brasil, uma vez que era necessário não revelar os dados referentes às expedições de reconhecimentos enviadas ao terreno, devido à querela com Espanha. Contudo, a posição mais equilibrada preconiza ter apenas havido o cuidado de proteger de determinadas e pontuais informações, apontando também a realidade de se conhecerem escritos da época por agentes estrangeiros sobre a expansão portuguesa. De igual forma, é preciso lembrar que muitas obras se perderam por negligência, vandalismo, tráfico ilegal e desastres naturais.
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