Portugal e a Agitação Política Europeia

D. Maria governou Portugal com o seu marido, o rei D. Pedro III, após a morte do qual passou a assumir o controle da nação sozinha por um período de seis anos até 1791, altura em que eram por demais evidentes os sinais de perturbações mentais. Na impossibilidade de voltar a governar a nação, a regência foi assumida pelo seu filho D. João (futuro D. João VI) em 1792, pois o seu primogénito falecera em 1788.
A atuação de D. Maria I e depois de D. João, deu continuidade ao estado de coisas instituído pela governação anterior. Num regime despótico, onde a nova aristocracia e a burguesia dominavam, onde fora extinta a Inquisição e expulsa a Companhia de Jesus, não era sensato mudar radicalmente de políticas.
Tinham entretanto sido libertados os presos políticos e recuperada a memória de famílias nobres afetadas pela atuação do marquês de Pombal, tendo sido afastados alguns dos seus colaboradores mais diretos. Apesar destas medidas, a velha ordem política foi mantida e, em certa medida, fortalecida: as perseguições aos opositores do despotismo continuaram e mantiveram-se no poder dois ministros da era pombalina. A grande mudança ocorreu no campo da política externa. Enquanto Pombal assumia posições bem definidas, D. Maria e D. João enveredavam por uma política pouco clara, uma política dúbia, que tentava agradar tanto à Inglaterra, como à França e à Espanha.
Portugal abandonou então as pretensões que tinha sobre o território do Uruguai, e perdeu para Espanha as ilhas de Fernão do Pó e Ano Bom, no Golfo da Guiné (1778), para tentar evitar uma guerra.
Neste período, a política externa era dificultada pelos ecos da Revolução Francesa, num momento em que a França se debatia com a oposição da maioria dos países da Europa. Alarmado com a situação, o nosso país procurava estabelecer uma aliança com Espanha e Inglaterra para lutar contra a França. Esta tentativa falhou, e teve como único resultado a deterioração das relações com a França, a qual atacava, a partir de 1793 e através dos seus corsários, os barcos de pavilhão português.
De 1795 a 1797 a França e a Espanha firmaram um acordo que previa a invasão e tomada de Portugal. Apesar das tentativas de negociação com ambas as partes, Portugal não evita, em 1801, que França e Espanha lhe declarem guerra.
A campanha de três meses, inglória para Portugal, e conhecida pelo nome de "Guerra das Laranjas", acabou com a entrega de Olivença a Espanha, com o pagamento de uma indemnização e a promessa de os portugueses fecharem os portos aos ingleses.
O insucesso português na política externa foi compensado com o sucesso do comércio e da indústria. A ordem interna, por sua vez, era mantida pela ação da polícia, que perseguia e afastava os adeptos do liberalismo e da maçonaria.
De 1801 a 1807, e mesmo anteriormente, as relações externas de Portugal hesitavam entre a obediência à Inglaterra, à França ou à Espanha. Logo em 1806 este dilema complicou-se porque Napoleão decretou o Bloqueio Continental (ordenando o encerramento dos portos à navegação britânica), uma tomada de posição que implicava um posicionamento mais firme por parte de Portugal.
A regência recorreu a uma solução de compromisso e procurou pagar com o tempo, mas não obteve qualquer resultado positivo. Em 1807 a França e a Espanha lançam um Ultimato, através dos seus representantes diplomáticos, obrigando a regência a escolher entre o apoio à Inglaterra e a obediência à França e Espanha. Portugal estava "entre a espada e a parede": aceitando cumprir o Bloqueio veria a Inglaterra ocupar o seu espaço colonial, particularmente o Brasil; se, por outro lado, continuasse a manter relações com o velho aliado britânico, franqueando-lhe o acesso aos portos, teria de suportar uma invasão franco-espanhola. Secretamente, os representantes diplomáticos de Portugal e da Inglaterra negociaram um acordo pelo qual Londres auxiliava militarmente o nosso país em caso de invasão enquanto Portugal se comprometia a abrir o seu espaço colonial à Royal Navy.
Para Napoleão, esta situação era inaceitável. Apostado em abater o velho rival e isolá-lo, ordenou a invasão de Portugal por um poderoso exército (reforçado por contingentes espanhóis) sob o comando do general Junot.
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