prensa de Gutenberg

Johannes Gutenberg, filho de uma família abastada, teve inúmeras oportunidades de aprender o maior número de coisas que estavam ao seu alcance. Desde jovem revelou ter uma forte inclinação pela leitura, lendo todos os livros que os pais possuíam em casa. Os livros, na época, eram escritos à mão, por monges, alunos e escribas e cada livro demorava meses a ser preparado, sendo o seu preço elevadíssimo e impossível de suportar para a maioria das pessoas.
Em 1428 Gutenberg começa a trabalhar no desenho e fabrico de joias, o que lhe permitiu conseguir e saber desenhar sobre metais e pedras, começando, assim, a pensar na possibilidade de criar uma máquina que conseguisse imprimir palavras automaticamente e fazer cópias de livros em série.
De 1436 a 1460 Gutenberg dedicou-se inteiramente à invenção da prensa. Durante este período, enfrentou muitas dificuldades e autênticos problemas que quase o fizeram desistir. De qualquer forma, conseguiu superar todas as dificuldades e fracassos, chegando à criação de uma das mais importantes máquinas de todos os tempos.
O invento levou largos anos a aperfeiçoar-se, mas Gutenberg persistia na ideia de adaptar técnicas que já conhecia profundamente - as técnicas do trabalho em metal, tais como moldagem, corte preciso e carimbagem - à produção técnica de livros.
A prensa desenvolvida por Gutenberg não era, de facto, uma invenção totalmente nova - já os chineses haviam usado técnicas de impressão de letras, especialmente em tecido - mas a maneira como ele a usou, essa sim foi inovadora: o molde das letras com tinta é colocado numa plataforma que desliza até à parte inferior de uma estrutura metálica; uma prensa é acionada através de uma barra que provoca a compressão, fazendo com que a estrutura que suporta o papel o "carimbe" com aquelas letras com toda a força, fazendo, assim, a impressão da letra no papel. Como as letras eram metálicas e amovíveis, cada caracter era separado e podia facilmente ser removido se se estragasse ou se houvesse necessidade de alterar algo no texto.
Gutenberg inovava ao transpor para a prensa tabuleiros que continham todo o tipo de caracteres normalmente usados na escrita manual: letras maiúsculas e minúsculas, sinais de pontuação, abreviaturas, etc., postas em conjunto para formar palavras, linhas e páginas inteiras de texto impresso. Com tal estrutura montada, Gutenberg concluiu que seria perfeitamente possível imprimir cerca de 300 páginas por dia.
Embora o desenho original da sua prensa permaneça ainda um mistério, os seus elementos básicos permaneceram quase inalterados em quase todas as impressões feitas desde a segunda metade do século XV até 1800.
O nome de Gutenberg não aparece oficialmente ligado a qualquer texto impresso, embora seja mundialmente sabido que da sua autoria constam magníficas obras, das quais se destacam a Bíblia de 42 linhas (o número de linhas por página), também conhecida como Bíblia de Gutenberg ou Bíblia de Mainz (cidade natal de Gutenberg), impressa em 1452 e da qual Gutenberg produziu 200 cópias dos seus dois volumes - vendidos, em 1455, na Feira do Livro de Frankfurt; seguindo-se o Calendário de 1448 e o Católicon (um léxico alfabético e gramatical), em 1460.
A invenção de Gutenberg espalhou-se rapidamente, sendo entusiasticamente recebida por todos os centros culturais da Europa.
A prensa de Gutenberg permitiu que o renascer do interesse pela aprendizagem e pelos clássicos na época do Renascimento, fosse transmitido de cultura em cultura.
Esta fantástica invenção mudou drasticamente o mundo inteiro: para além de aperfeiçoar a escrita e facilitar a leitura, os textos poderiam facilmente ser feitos de uma forma rápida e eficaz. O mundo começava, assim, a partilhar o seu conhecimento.
Facilitando a disseminação de tesouros intelectuais, tornou-se, obviamente, numa condição necessária para o rápido desenvolvimento das ciências na era moderna. Assim, não só a prensa de Gutenberg é inseparável do progresso da ciência moderna, como é ainda um fator indispensável quando se fala da educação das pessoas em geral: A Cultura e o Conhecimento, até então considerados privilégios aristocráticos apenas acessíveis a determinadas classes, passam a popularizar-se pela tipografia, dando, desta forma, oportunidades iguais para quem quisesse alargar os seus conhecimentos e instruir-se.
A comprovar a magnificência deste inventor europeu do século XV, realiza-se anualmente, nos Estados Unidos da América, o "Festival Gutenberg" - uma espécie de Feira de demonstrações e inovações nas áreas do desenho gráfico, da impressão digital, da publicação e da conversão de texto - que só comprova que a invenção do mestre Gutenberg consegue, ainda hoje, cultivar seguidores que, da sua experiência-base, tentam superar o invento e adaptar as tecnologias modernas às exigentes necessidades do mundo atual.
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