províncias magmáticas

Na atualidade, os vulcões ativos estão confinados a determinadas zonas da crosta terrestre e ficam livres de atividade vulcânica as regiões intermédias. Nos setores ativos, os produtos vulcânicos apresentam, na sua composição química, amplas variações regionais que podem ser relacionadas com o magma que os originou.
É assim possível distinguir um número de províncias magmáticas ou vulcânicas, que apresentam em cada uma delas idênticos tipos de fenómenos vulcânicos. Se seguirmos a história das atuais províncias magmáticas através dos tempos geológicos, verificaremos que todas elas tiveram uma vida limitada. Em épocas anteriores à Era Terciária, a distribuição das províncias magmáticas era totalmente diferente da atual, e é certo que os centros de atividade vulcânica se deslocaram muitas vezes no decorrer dos tempos. Estes factos sugerem que o vulcanismo, apesar de universal, é um fenómeno local e temporal.
A disposição na Terra das províncias magmáticas e a história da sua atividade ígnea no decorrer dos tempos geológicos estão ligados à história conjunta da crosta terrestre. Sem considerar variações de menor significado, podemos reconhecer cinco grandes províncias magmáticas ou vulcânicas.
1. As bacias oceânicas dos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico. A grande maioria das ilhas que surgem nestas bacias distantes das costas são vulcões ativos ou extintos. No Pacífico podemos mencionar as ilhas Hawai, Samoa, Páscoa, Tahiti; no Índico as ilhas Reunião e São Paulo; e no Atlântico as de Santa Helena, Tristão da Cunha e Açores. Em todos estes grupos, as rochas dominantes são basaltos ou rochas afins que parecem derivar de um magma basáltico. Grande parte da atividade está relacionada com os sistemas de dorsais medioceânicas.
2. No Atlântico Norte, uma província magmática na atualidade praticamente extinta, que se estende de oeste a este da Gronelândia, passando pela Islândia, Faroé e Norte da Irlanda. Em todas estas áreas, as rochas predominantes são as escoadas de lavas basálticas. Na Islândia, a única região ainda ativa, produziram-se em tempos históricos erupções de basalto do tipo fissural. Nos períodos terciários formaram-se vulcões do tipo central. Em toda a província os basaltos olivínicos e os toleítos estão associados às acumulações de lava, que, em alguns locais, atingem 5 quilómetros de espessura.
3. Zona circumpacífica que se estende até ao norte ao largo dos sistemas de cordilheiras americanas, passa pelas ilhas Aleutas e continua para sul atravessando o Japão, Filipinas e as Índias Orientais até à Nova Zelândia.
4. Zona mediterrânico-himalaia, cuja atividade vulcânica ocorre esporadicamente e que vai das ilhas Canárias, a oeste, passa pelo Mediterrâneo e Médio Oriente e repete-se na Birmânia, Java, Samatra, ligando-se finalmente com a zona circumpacífica. Estas zonas, também denominadas cinturões, acompanham as zonas orogénicas ativas da Terra e em que os fenómenos vulcânicos derivam de processos orogénicos. Muitos dos vulcões estão dispostos em séries lineares ou arqueadas, relacionadas em fraturas ou zonas de deformação em profundidade. Os produtos vulcânicos são muito diferenciados, o que quase impossibilita a generalização.
5. Zona de vales (rift valleys) que se encontram no Leste de África e Médio Oriente. Nesta zona, as rochas alcalinas são muito frequentes. A atividade ígnea recente está mais ou menos confinada a linhas de vales e fraturas terrestres com eles relacionados.
Como referenciar: Porto Editora – províncias magmáticas na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-11-28 00:27:42]. Disponível em