psicologia

A psicologia deu os seus primeiros passos na antiguidade clássica, mais precisamente na Grécia antiga. Foi aqui que o homem começou a olhar para si próprio, para se compreender, e a olhar para o mundo, foi assim que surgiram os primeiros mestres da filosofia. A partir desta ciência e através dos séculos, desenvolveram-se múltiplos ramos do saber, alguns dos quais acabariam por autonomizar-se da árvore mãe e constituir outras ciências. A psicologia não é mais do que um desses ramos, que, sendo de recente autonomização, foi, contudo, dos primeiros a ter surgido. Só no fim do século XVI (1590) é que aparece o termo psicologia, introduzido por Rudolph Goclenius (psyquê significa alma, sopro; logos significa tratado, ciência).
Nos finais do século XIX, com a enunciação das leis psicofísicas de Weber e de Gustav Fechener (fisiologista, filósofo e psicólogo alemão), e posteriormente com a criação do primeiro laboratório de psicologia por Wilhelm Wunt (fundador da psicologia moderna e líder da escola estruturalista), em Leipzig, na Alemanha, no ano de 1879, é que a psicologia conquistou verdadeiramente a sua autonomia, emancipando-se da filosofia.
A psicologia é o estudo do organismo humano e animal em toda a sua variedade e complexidade. É a ciência que se debruça sobre o comportamento humano e animal e sobre os fenómenos psicológicos. Tem por finalidade adquirir a capacidade de fazer predições corretas acerca dos fenómenos com os quais se ocupa.
Cada palavra que compõe a sua definição assume extrema importância. Ciência é um método destinado a descobrir e a interpretar o conhecimento baseado nas regras da evidência e da lógica. Comportamento é aquilo que os organismos fazem, como agem e o que eles experimentam e que é observável. Os fenómenos psicológicos traduzem-se na totalidade das funções relacionadas com a mente, quer conscientes quer inconscientes.
As atividades mentais das quais o indivíduo está consciente são os fenómenos conscientes, as atividades que o indivíduo não têm consciência são os chamados fenómenos inconscientes. Nestes últimos fenómenos, as pessoas são desconhecedoras das razões do seu comportamento e as suas ações são orientadas pelo «subconsciente» (descreve os processos acerca dos quais o indivíduo não está consciente, mas que podem ser trazidos ao consciente) ou «inconsciente».
Para conseguir chegar ao seu fim, a psicologia faz uso de diferentes métodos. Um método não é mais do que um plano que dirige a pesquisa científica.
O método introspetivo é o único que permite conhecer a vivência subjetiva pelo próprio sujeito dos seus fenómenos psíquicos. Este método tem a grande desvantagem de se encontrar limitado aos fenómenos conscientes.
No método da observação natural, o psicólogo vai observar as diferenças no comportamento tal como elas existem na natureza e como estão relacionadas com as condições antecedentes. A sua maior desvantagem é o não nos apercebermos dos fenómenos na sua totalidade, na medida em que a atenção se fixa seletivamente sobre uns aspetos, desprezando outros.
Um terceiro método muito utilizado é o psicométrico. Este método dos testes consiste no estudo dos fenómenos psíquicos através de situações experimentais normalizadas que atuam como estímulos para determinadas respostas experimentais. Procura avaliar capacidades intelectuais, traços de personalidade ou aptidões físicas.
No método experimental, o psicólogo manipula ativamente a experiência, escolhendo as respostas a serem medidas e controlando as influências estranhas que poderiam afetar os resultados da sua experimentação. O seu objetivo é o estabelecimento de leis gerais, não sendo aplicável a casos individuais. Para estes últimos casos, surge o método clínico que consiste na observação e interpretação de cada caso individual, sem recurso a instrumental de laboratório. Este procedimento limita-se à formulação de hipóteses baseadas na observação de casos anteriores e o seu principal instrumento é a entrevista clínica.
Ao longo da sua história a psicologia apresentou diferentes correntes psicológicas. As mais famosas são: a corrente reflexológica de Ivan Pavlov (1849-1936), médico fisiologista russo, que fez a ponte de ligação entre a fisiologia e a psicologia. Na sua corrente estabeleceu que a compreensão do psiquismo só se poderá fazer através do estudo do comportamento inato (do nosso próprio organismo) ou adquirido (proveniente do ambiente); a corrente behaviorista ou comportamental de John Watson (1878-1958), psicólogo americano, que estabeleceu a ideia que o comportamento de um indivíduo (resposta) varia de acordo com os estímulos provenientes do ambiente. Só interessa estudar a relação estímulo-resposta; a corrente gestaltista que teve como pioneiros os psicólogos Hurt Kofka (1886-1941), Wolfgang Kohler (1887-1967) e o filósofo Max Wertheimer. Estes defendiam que o conhecimento do mundo e o nosso comportamento dependem e variam de acordo com aquilo que percecionamos; e a corrente psicanalista de Sigmund Freud (1856-1939), médico neurologista, que foi o primeiro a comunicar a demonstração positiva da existência de atividade psíquica inconsciente e a formular as leis do dinamismo inconsciente.
A psicologia moderna apresenta-se, tal como na medicina, subdividida em diferentes ramos que se especializaram em áreas diferentes. É o caso, por exemplo, da psicologia criminal que se dedica ao estudo do comportamento criminoso; da psicologia forense que consiste na aplicação dos conhecimentos psicológicos ao propósito do direito; da psicologia diferencial que investiga as diferenças individuais e grupais apresentadas pelas pessoas e grupos; da psicologia do desenvolvimento que estuda os processos de crescimento e a maturação do comportamento; da psicologia social que procura explicar como se produzem os comportamentos sociais dos diversos indivíduos e grupos, bem como os processos psicológicos que se originam nos grupos; da psicologia clínica que consiste no estudo da maturação psíquica e da adaptação e integração familiar e social; e da psicologia do trabalho ou industrial que tem por finalidade a adaptação da pessoa à sua profissão como, também, a adequação das profissões à pessoa humana.
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