psicologia cognitiva

A psicologia cognitiva é a vertente da psicologia que salienta a importância das cognições como reguladoras do comportamento humano.
As cognições são todas as formas de conhecimento, ou seja, englobam o pensamento, o raciocínio, a compreensão, a imaginação e, por exemplo, o julgamento.
Os cognitivistas salientam o pensamento consciente que desempenha um papel básico nas emoções e comportamentos humanos e evidenciam a importância do papel do pensamento irracional ou disfuncional (pensamento distorcido da realidade do próprio indivíduo ou do meio ambiente em que ele se insere) na elaboração do afeto negativo (resultado do pensamento irracional).
O psicólogo cognitivo concebe uma realidade externa e a distorção que o indivíduo faz dessa realidade. Deste modo, a função do terapeuta é confrontar o indivíduo com os dados da realidade e diminuir o afeto negativo.
A terapia cognitiva é uma abordagem ativa, em que o terapeuta tem um papel ativo, centrado no "aqui e agora". É uma terapia estruturada, com prazos de atuação limitados (número de sessões) e usada em quase todos os distúrbios mentais.
A revolução cognitiva ocorreu, em 1956, com o cognitivista George Miller que declara que nós funcionamos como processadores da informação e que registamos e agimos de acordo com ela. Assim, as primeiras contribuições cognitivas fazem nascer um conceito, que durante décadas dominou a investigação em psicologia: a organização cognitiva comparada a um computador, sendo o aparelho psíquico a unidade central de processamento de informação.
A descoberta de que as pessoas não reagem diretamente aos acontecimentos - mas sim à representação mental que fazem de tais acontecimentos e que tais representações se encontram reguladas pelos princípios e parâmetros da aprendizagem - lançou os psicólogos na exploração dos mais diversos modelos cognitivos.
Para ajudar ao desenvolvimento destes modelos muito contribuiu a incapacidade de alguns modelos existentes para explicar o comportamento humano; a necessidade de considerar o crescimento da investigação acerca dos processos cognitivos; a necessidade de encarar os nossos processos internos de um ponto de vista científico e alternativo ao das conceções psicanalistas (com base no estudo do inconsciente); a necessidade de desenvolver técnicas e metodologias que permitissem uma intervenção para além daquela permitida nas abordagens comportamentais (que têm apenas em consideração o comportamento do indivíduo, diminuindo a importância da sua consciência); e do reconhecimento da eficácia das abordagens da teoria cognitiva.
Os modelos cognitivos apresentam determinadas características gerais, entre elas, salientam-se os seguintes pontos em comum aos diversos modelos: a atividade cognitiva afeta o comportamento, isto é, o que nós sentimos e fazemos depende daquilo que pensamos; a atividade cognitiva pode ser registada, acompanhada e alterada; e as alterações do comportamento podem ser efetuadas através de mudanças cognitivas, ou seja, alterando a forma como pensamos, raciocinamos, etc.
Dentro da psicologia cognitiva, o destaque recai sobre a teoria evolutiva ou do desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget (estuda a maturação do desenvolvimento do pensamento humano).
De todas as terapias cognitivas destaca-se a terapia racional emotiva de Albert Ellis e a terapia de restruturação cognitiva de Aaron Beck.
Na terapia racional emotiva, Albert Ellis, estipula que se deve compreender os comportamentos (consequências) a partir dos acontecimentos que os provocam, para depois entender e modificar os processos cognitivos e as crenças que daí derivam. Para ele as crenças podem ser irracionais (ideias ou filosofias ilógicas e que impedem a obtenção de satisfação de necessidades e objetivos dos indivíduos) ou racionais (lógicas e apoiadas pela maioria dos indivíduos).
Na terapia de Aaron Beck, a novidade está na apresentação de um conjunto de erros que o nosso processamento cognitivo pode formular, ou seja, estipulou que nós humanos fazemos, por exemplo, deduções que levam a formular conclusões sem evidência para tal, isto é, sem comprovação (erro de processamento denominado inferência arbitrária). Um outro exemplo será o habitual erro de distorção da importância de um acontecimento, por excesso (sobrevalorização) ou por redução (subvalorização).
As metodologias de avaliação cognitiva apresentam determinados métodos utilizados, com fins terapêuticos. Os métodos de registo, englobam o uso dos pensamentos em voz alta (o que o sujeito pensa quando é confrontado com uma dada situação), do discurso interno (monólogo interno que cada sujeito faz para lidar com determinada situação) e da associação livre (associações de pensamentos que vêm à consciência do sujeito a propósito de um conceito ou acontecimento). Os métodos de endosso, consistem na confrontação do doente com uma série de itens ou questionários, que visam avaliar o nível ou grau de determinadas dimensões cognitivas (por exemplo, analisar apenas o raciocínio ou a criatividade). Os métodos de produção que consistem no registo de pensamentos relacionados com determinadas situações em particular e, por último, os métodos inferenciais, que permitem inferir, deduzir, dados acerca do funcionamento cognitivo a um nível mais profundo como, por exemplo, o método autobiográfico (através do relato do sujeito acerca das suas histórias) ou a avaliação de constructos sociais (método que procura a identificação das formas utilizadas pelo indivíduo para organizar a vida e o mundo, em geral).
Em Portugal, o aparecimento das terapias cognitivas foi levado a cabo pelo Professor Luís Joyce Moniz que, em abril de 1974, criou na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, o primeiro grupo de clínicos e investigadores a atuar no âmbito da psicologia cognitiva. Mais tarde, foi também o responsável pela realização do primeiro congresso europeu de terapias cognitivas-comportamentais (First European Meeting of Cognitive Behavioral Therapies, 1981) em Lisboa. Posteriormente, foi um dos responsáveis pelo nascimento da Associação Portuguesa de Terapias Comportamental e Cognitiva.
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