psicologia da forma

A psicologia da gestalt (forma) ou gestaltismo desenvolveu-se a partir de 1912, pela necessidade da existência de uma teoria que, não esquecendo o valor e a necessidade da experimentação científica, salientasse sobretudo o aspeto global da realidade psicológica. Os grandes impulsionadores desta escola foram os psicólogos Max Wertheimer (1880-1943), Wolfgang Hohler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1940), que, depois de 1910, trabalhando na universidade de Frankfurt, criticaram fortemente a escola de Wilhelm Wundt (1832-1920), fundador da psicologia moderna e responsável pelo primeiro laboratório de psicologia experimental.
Coube a Max Wertheimer ser o fundador da teoria, ao ter conseguido provar, experimentalmente, diferentes formas de organização percetiva (o campo visual é percebido de uma forma organizada e com significado próprio para cada um de nós). Assim, já era válido defenderem o principal ponto de vista da escola desses cientistas: o conhecimento do mundo obtém-se a partir de elementos que por si só constituem formas organizadas. Para a psicologia da forma o todo é mais do que a soma das partes que o constituem.
A teoria da forma parte, assim, da perceção como um todo: as suas propriedades não resultam da soma das propriedades dos seus elementos. Por exemplo, mesmo nos casos em que há apenas uma figura (como um ponto negro) desenhada numa folha branca, há uma totalidade, não existe só a figura, existe uma figura desenhada que sobressai num fundo branco (na folha do papel). Para os psicólogos da gestalt existem quatro princípios para a perceção de objetos e formas: a tendência à estruturação, a segregação figura-fundo; a pregnância ou boa forma e a constância percetiva.
A tendência à estruturação explica-se pela natural propensão dos indivíduos a organizar ou estruturar os diferentes elementos que se lhe deparam. Tendemos a agrupar elementos que se encontram próximos uns dos outros ou que sejam semelhantes.
A segregação figura-fundo explica-nos que percecionamos figuras definidas e salientes que se inscrevem em fundos indefinidos. Não podemos ver objetos sem os separarmos do seu fundo. Por exemplo, para vermos um cálice branco pintado num fundo preto, temos de fixarmos o olhar na parte branca. Se fixarmos o olhar na parte preta, podemos ver outras formas que não a do cálice.
Designa-se por pregnância das formas, a qualidade que determina a facilidade com que percecionamos figuras. Percecionamos mais facilmente as boas formas, ou seja, as simples, regulares, simétricas e equilibradas.
A constância percetiva traduz-se na estabilidade da perceção (os seres humanos possuem uma resistência acentuada à mudança). Existem três grandes tipos de constância: a da grandeza (estabilidade de perceção em relação ao tamanho dos objetos), a da forma (em relação à forma que os objetos normalmente têm) e a constância da cor (que tem a ver com a quantidade de luz recebida).
A constância percetiva é particularmente importante porque, graças a ela, o mundo surge-nos com relativa estabilidade.
Os psicólogos da gestalt surgiram também com uma teoria para a perceção da profundidade. Esta advém da interação de fatores do nosso organismo com fatores ambientais.
São exemplos dos fatores do nosso organismo: a acomodação do cristalino que é uma espécie de lente natural de que dispomos para focar convenientemente os objetos e que se contrai (sempre que os objetos estejam a curta distância) ou se estende (se os objetos se encontram afastados); e a convergência das linhas de visão, ou seja, a posição destas linhas altera-se sempre que olhamos para objetos situados a diferentes distâncias. Quando olhamos para um objeto colocado a mais de quinze metros, as linhas de visão são paralelas, mas quando a distância é inferior, as linhas de visão tornam-se concorrentes (cruzam-se).
Para exemplificar os fatores ambientais temos o princípio do contraste luz-sombra (as partes salientes dos objetos são mais claras que as restantes, em função da iluminação recebida) e a grandeza relativa (a profundidade pode ser representada variando o tamanho e a distância dos objetos pintados. Os objetos mais distantes parecem-nos mais pequenos do que aqueles que estão mais próximos).
Estes e muitos outros princípios da psicologia da forma fizeram com que um europeu de formação psicanalítica, Fritz Perls (1893-1970), surgisse com uma psicoterapia de orientação gestáltica, fundando, em 1952, o Instituto Gestalt de New York.
A gestalterapia defende que o desenvolvimento psicológico e biológico do organismo se processa de acordo com as tendências inatas (tendências já próprias do corpo aquando do nascimento) desse organismo e que tentam adaptá-lo harmoniosamente ao ambiente. A psicoterapia é, normalmente, realizada em grupo e ao longo das suas sessões destaca-se a realização de um conjunto de exercícios sensório-motores (que trabalham as áreas sensoriais e motoras do nosso corpo) e meditativos (de relaxamento). Estes exercícios pretendem, principalmente, que os indivíduos descubram novas forças existentes em si, para poderem ultrapassar as dificuldades.
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