Questão Arménia

A Arménia, um dos berços da nossa civilização, conheceu, desde muito cedo, uma existência atribulada e problemática. Ao longo da sua história, esta região da Ásia ocidental sofreu duras invasões e foi ocupada por diversos povos, como os Assírios, Persas, Romanos, Mongóis, Turcos e Russos.
Em 1918, a Arménia declara-se independente depois do desaparecimento da curta Federação Transcaucasiana com a Geórgia e o Azerbaijão. Por pouco tempo, também, pois em 1922 foi incorporada na Rússia, numa primeira fase integrando a República Socialista Soviética Transcaucasiana. Em 1936 fazia parte da URSS, sendo-lhe reconhecido o estatuto de república. No final da década de 80, levantamentos populares demonstravam que na Arménia havia um forte desejo de independência, apesar dos cerca de 50 anos de domínio soviético.
Durante o governo de Mikhail Gorbachev, os arménios anteciparam a célebre glasnost (política de transparência) e denunciaram o estado do ambiente na região, ao mesmo tempo que reclamavam a anexação de Nagorno-Karabakh, um enclave arménio no Azerbaijão. Em 1989, o Soviete Supremo arménio declarou esse enclave parte integrante do seu território e, ao mesmo tempo, a soberania da República da Arménia. Mais tarde, em setembro de 1991, os arménios desejaram decidir o seu futuro e votaram.
Votam de uma forma esmagadora na secessão face à União Soviética. No mesmo mês, o Soviete arménio proclamou a sua independência, e em outubro Levon Ter-Petrosyan ascendeu ao cargo de presidente eleito da nova república. Em 1992 a Arménia tornava-se membro das Nações Unidas.
De qualquer modo, o futuro não seria fácil. Os primeiros anos de vida do novel país seriam extremamente complicados, uma vez que a tensão política aumentara consideravelmente, sobretudo com a oposição da fação revolucionária Dashnak, um partido com mais de 100 anos e que governara o país durante o breve período de independência entre 1918 e 1922.
Com grande influência nos meios militares e políticos, o Dashnak forçou a demissão do primeiro-ministro Kosrov Arutyunyan. É também resultado direto da sua influência que, em 1993, as tropas arménias lançam uma grande ofensiva sobre Nagorno-Karabakh, uma região que passam a controlar após uma série de vitórias sobre o exército do Azerbaijão.
A reação azeri no final desse mesmo ano obrigou ao recuo dos arménios, que conduziu ao estabelecimento das negociações de paz, concluídas em maio de 1994. A nível interno a situação tornara-se preocupante: a insegurança, o terrorismo, o tráfico de droga, entre outras, levaram os governos a adotar medidas de exceção que incluíam a suspensão do principal partido da oposição (ARF), acusado de participar em ações subversivas.
O regresso às consultas populares resultou numa clima de confiança a nível internacional, que permitiu a concessão de um empréstimo de 148 milhões de dólares do Fundo Monetário Internacional, destinado à reconstrução económica do país nos três anos entre 1996-1998.
O presidente Ter-Petrossian, ao regressar em 1996 para cumprir um segundo mandato de cinco anos, não se livrou das acusações de falsificação dos resultados eleitorais e das manifestações em Yerevan.
De acordo com a Organização para a Segurança e Cooperação Europeia (OSCE), havia razões para suspeitar de fraudes. A instabilidade política estava ainda para durar.
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