Questão das Molucas

Esta questão litigiosa foi levantada entre D. João III, rei de Portugal, e Carlos V, imperador da Espanha, à volta dos direitos de posse das Molucas.
A Espanha fora informada por Portugal da conquista de Malaca e da descoberta das ilhas Molucas, numa altura em que muito se especulava sobre os lucros do comércio das especiarias que começavam a chegar à capital portuguesa. Estes lucros eram cobiçados pela Espanha. Esta, em segredo, preparou uma armada que, em agosto de 1519, partiu de Sevilha para atingir as Molucas pelo ocidente. Esta armada, comandada por Fernão de Magalhães, um navegador português, era constituída por cinco navios e tinha uma tripulação de 237 homens.
Todas estas notícias chegaram até aos Portugueses, que, embora a tentassem boicotar, não impossibilitaram a chegada dos navios às ilhas Molucas, onde os espanhóis se abasteceram de especiarias, que trouxeram para Espanha em 1522. D. João III protestou contra este comércio e contra esta navegação em território português à luz das determinações do Tratado de Tordesilhas, através do seu embaixador junto do imperador Carlos V. Este considerava que as Molucas lhe pertenciam, e por esse motivo tentou chegar a um acordo, propondo para esse efeito como mediador do conflito o Papa Adriano VI. Apesar da sua intervenção, a contenda prolongou-se, sendo agravada pela apresentação de argumentos por ambas as partes e pelos interesses pessoais, intrigas e cobiças que esta questão levantava.
A questão começou a ser resolvida por vias diplomáticas na Conferência de Badajoz e foi concluída com o Tratado de Saragoça, em 1529.
Por ele, as ilhas Molucas, Malucas ou de Camela, como foram conhecidas, passaram a integrar, em definitivo, os domínios de Portugal, embora este tivesse de pagar uma avultada indemnização por se considerar (erradamente) que as ilhas ficavam em território da Espanha. Todavia, o usufruto das ilhas em termos económicos foi pequeno e o negócio revelou-se um "fiasco" para Portugal.
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