Randal Cremer

Sindicalista e pacifista britânico, William Randal Cremer nasceu no seio de uma família humilde, em Fareham, Inglaterra, a 18 de março de 1828, e faleceu a 22 de julho de 1908. Filho de George Morris e de Harriett Cremer, o pai abandou a mulher e os seus três filhos quando Randal ainda era criança. A mãe conseguiu que o filho estudasse na escola metodista e quando contava quinze anos tornou-se aprendiz de carpinteiro na oficina de um tio. Sedento de cultura, Randal assistia entretanto a conferências. Em 1852 mudou-se para Londres e em 1858 foi eleito para um conselho sindical defensor do "dia das nove horas". Mais tarde participou na criação da Associação Amalgamada de Carpinteiros e Associados e na Associação Internacional de Homens Trabalhadores. Determinado a conseguir um lugar no Parlamento para a defesa de direitos dos trabalhadores como a criação de tribunais para a decisão de conflitos de trabalho, a taxação direta, a reforma da terra e a educação obrigatória, entre outros, Cremer candidatou-se por Warwick em 1868. Nem neste ano nem em 1874 conseguiu o seu propósito, mas em 1885 conseguiu assento no Parlamento como representante liberal de Haggerston (East End de Londres), acontecendo o mesmo em 1886, em 1892 e em 1900, desta vez até à data da sua morte.
Grande defensor da arbitragem enquanto modo de conseguir a paz, desenvolveu todos os esforços ao seu alcance para implantar as suas convicções, como a criação em 1879 de um comité de trabalhadores para promover a neutralidade inglesa na contenda entre a França e a Prússia, assim como a Liga Internacional de Arbitragem. Cremer propôs ao presidente do Congresso dos Estados Unidos, em 1887, um tratado com a Inglaterra com o objetivo de submeter as contendas entre os dois países à arbitragem. No seguinte ano surgiu, com a sua intervenção, a União Interparlamentar em França, composta por representantes de oito países e com Cremer enquanto vice-presidente.
Casou duas vezes, tendo a primeira mulher falecido em 1876 e a segunda em 1884. Em 1903 foi laureado com o Prémio Nobel da Paz, cuja quantia monetária doou na quase totalidade à Liga de Arbitragem Internacional.
Em 1906 escreveu o artigo Parliamentary and Inerparlamentary Experiences, publicado no The Independent em agosto. Foi honrado com o título de "Sir" em 1907, além de ter recebido o título de Cavaleiro de Santo Olavo na Noruega e a Legião de Honra francesa.
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