rastafari

O movimento negro rastafari, que conheceu uma grande expansão nos anos 70 e 80, tem a sua origem na Jamaica, em 1930, após o declínio do político Marcus Garvey, que defendia o regresso a África de todos os africanos. Marcus Garvey organizou, através da Associação Nacional para o Progresso Negro, programas de migração em massa negociados com governos africanos e fretando linhas de navios a vapor.
Mas foi com a sua morte e com o espalhar da lenda de que tinha profetizado o regresso dos africanos a África "quando um rei negro for coroado" que esteve involuntariamente na origem do movimento rastafari. Quando, em 1930, Ras Tafari foi coroado rei da Etiópia, assumindo o título oficial de Haile Selassie, alguns jamaicanos lembraram-se da profecia e adotaram o rei etíope como o seu Deus e o seu Messias que faria com que o regresso a África fosse possível. Na realidade, Marcus Gravey não foi responsável por esta viragem nem pela profecia porque além de atacar Haile Selassie pelo facto de no seu país os negros serem maltratados, defendia uma solução prática de regresso. Os seguidores de Ras Tafari esperavam a salvação miraculosa do seu Messias sem nada fazerem em concreto.
O movimento de Marcus Gravey foi, após a sua morte, seguido por muitos jamaicanos, que adotaram as cores da bandeira da Etiópia - verde, amarelo e vermelho - e deixaram crescer o seu cabelo em dreadlocks, os característicos caracóis emaranhados que os distinguem fisicamente como rastafaris. Muitos deles consumiam o ganja, uma espécie de cannabis sativa, ao qual atribuíam propriedades medicinais miraculosas e consideravam uma espécie de "porta" para o contacto com o divino. Os rastafari tinham rituais de adoração de Jah - o nome primitivo de Jeová - e muitos retiraram-se para o interior da ilha onde fundaram as suas próprias comunidades, enquanto outros se juntavam junto aos portos aguardando a oportunidade de regressar a África num navio.
Posteriormente, o movimento rastafari passou a representar uma força cultural importante na Jamaica e a sua música de protesto, o reggae, foi hasteada como a sua bandeira. Resultado de uma fusão de estilos musicais e com o seu nome inspirado na palavra raggamuffin, ou seja, pessoa esfarrapada, o reggae tornou-se muito popular em todo o mundo, especialmente através do músico Bob Marley (1945-1980), que passou a ser o símbolo do movimento rasta. Este movimento contribuiu para a identidade, sentimento de pertença e autoestima da comunidade negra e expandiu-se à Europa, EUA, Austrália e Nova Zelândia.
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