Recaredo

Recaredo, rei dos Visigodos de Espanha (586-601), segundo filho e sucessor de Leovigildo, foi associado ao trono desde jovem. Deu continuidade à política de seu pai, visando o fortalecimento do poder real e a unidade e integração de todos os grupos dirigentes que compunham o Estado Visigodo. Porém, no modo de alcançar esses objetivos, seguiu um rumo bem diferente: abjurou o arianismo e converteu-se ao cristianismo, realizou um pacto com a poderosa hierarquia eclesiástica peninsular e concebeu uma política de concórdia com a aristocracia laica. A conversão ao cristianismo e a sua nova política religiosa tiveram grandes consequências na história do Reino Visigodo de Toledo. Esta viragem ocorreu no III Concílio de Toledo (iniciado a 4 de maio de 589), por instigação de S. Leandro de Sevilha. Aqui foi ratificada a abjuração oficial da heresia ariana e realizada a reorganização da nova Igreja unitária e nacional do Reino, a par da sacralização da própria realeza, segundo os modelos bizantinos. As boas relações com o papa S. Gregório Magno, ao qual foi enviada uma embaixada com a notícia da conversão, permitiram resolver por um tratado, de que aquele pontífice foi intermediário, o problema dos territórios possuídos pelos bizantinos em Espanha, reconhecendo-lhes a posse de faixas situadas no litoral Sul e Sudeste. No plano legislativo, as leis atribuíveis a este monarca apresentam um carácter unitário refletindo a sua política integradora, sem distinção entre godos e hispano-romanos. Faleceu de morte natural em dezembro de 601, em Toledo. Sucedeu-lhe o seu filho bastardo, Liuba II.
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