Reformas de Diocleciano

Diocleciano foi imperador romano no período de 284 a 305. De origem modesta, veio depois a integrar a legião romana e com o assassinato de Numeriano foi proclamado imperador pelos seus soldados.
Desde o início do seu governo promoveu uma política de descentralização, tanto administrativa como militar. Durante a primeira parte do Império (285-293), Diocleciano associou ao trono Maximiano (nomeado césar em 286), tendo-lhe sido confiada a defesa do Ocidente. Procedia assim à divisão do Império em Império Romano do Oriente e Império Romano do Ocidente. Para fazer face aos perigos que foram surgindo por todo o Império, este entrou na fase da tetrarquia que caracteriza a segunda parte do governo de Diocleciano (293-305), aumentando ainda mais a descentralização do poder e confirmando o seu lema "dividir e governar". Assim, são designados dois césares: Diocleciano adota Galério (augustos) e Maximiano governa juntamente com Constâncio Cloro (césares). O Império passava a ser governado por quatro imperadores. Saliente-se que os césares têm menos poder e privilégios que os augustos.
Diocleciano destaca-se pelas inovações introduzidas na administração do século III e tem igualmente o mérito de completar as reformas de períodos anteriores. Encetou processos na tentativa de remediar o estado de anarquia e de desorganização herdados dos seus antecessores As suas reformas abrangeram todas as áreas de vida do Império através da abundância da legislação que fez promulgar. Da sua ação reformadora podem salientar-se: a reorganização dos conselhos imperiais, a redação de vários códigos; a separação do exército sedentário estabelecido nas fronteiras e do exército móvel do interior com uma função de reserva; a reorganização das divisões administrativas que resultou na multiplicação das províncias e na fragmentação ainda maior do poder; a reorganização do sistema tributário estabelecendo impostos diretos com a capitação das terras segundo a sua capacidade produtiva; a fixação às terras dos grandes arrendatários; o estabelecimento de novos locais para cunhagem de moeda e a circulação de novas espécies monetárias; a fixação do preço máximo de venda de modo a controlar os salários e os preços, cuja intenção era debelar a crise económica, o que não se mostrou muito eficaz. Relativamente à religião, o governo de Diocleciano ficou marcado pela violenta perseguição aos cristãos obrigando-os, através de vários éditos, a participar nos sacrifícios e nos ritos da religião tradicional romana. É desta altura que nos chegam as notícias de numerosos mártires vítimas das ações dos imperadores e dos césares por todo o Império Romano.
Diocleciano acabou por abdicar em 305.

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