reificação

Na Sociologia, uma das aceções mais vulgares da noção de reificação prende-se com a chamada reificação dos conceitos. Trata-se de um risco e de um abuso frequente, que consiste, por um lado, em autonomizar os conceitos e, por outro, tomá-los pela própria realidade a que se referem.
Reificação (do latim res: coisa) é, porém, um conceito bastante mais abrangente. Marx prefigura-o no primeiro capítulo de O Capital, a propósito do "feiticismo da mercadoria", e Simmel utiliza-o abundantemente na Filosofia do dinheiro. Para estes autores, a reificação implica a abstração/alienação de determinadas propriedades humanas e respetiva atribuição às coisas, por exemplo, na perspetiva marxista, o trabalho humano em relação às mercadorias. Pela reificação, as pessoas ou os seus atributos são objetivados, assumindo, portanto, o estatuto de coisas.
Para além da abstração, a reificação procede a uma inversão da relação entre o sujeito e o objeto, o meio e o fim. A mediação sobrepõe-se ao que é mediado, o símbolo à realidade significada. Bem ilustrativo deste processo é o "feiticismo sexual", onde um dado objeto da pessoa desejada, por exemplo, uma peça de roupa, pode passar a substituí-la como fonte de desejo e de satisfação. Lukács e alguns dos seus discípulos (Goldmann, Gabel, Kosic) alargaram o conceito de reificação, associando-o a um modo específico de relação com o mundo, de perceção da realidade e, em suma, de (falsa) consciência. Neste sentido, reificação significa sobretudo desdialectização, ou seja, perda do sentido da totalidade, separação da parte em relação ao todo, a-historicismo, especialização do pensamento, incapacidade de relativização e, enfim, desaxiologização ou desestruturação moral.
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