Reino de Leão

Afonso I, rei das Astúrias, enclave cristão donde partiu a Reconquista iniciada por seu sogro, Pelágio (guerreiro visigodo que venceu os Árabes em Covadonga, em 718), estendeu as suas conquistas a Leão e à Galiza, sendo por isso considerado como o primeiro rei leonês. Leão, ainda assim, não gozou de verdadeira independência até à abdicação de Afonso III, em 910, quando este, obrigado pelos três filhos, apoiados pela rainha e pela nobreza, dividiu os seus reinos: Garcia, o primogénito, ficou com Leão e as novas conquistas a sul (Castela), Ordonho com a Galiza (onde se inclui Portucale) e Fruela com as Astúrias. Recorde-se que fora o pai destes três príncipes quem encetara o repovoamento cristão da região entre Lima e Vouga, com base em Portucale (Porto), origem do termo Terra Portucalense.
Entretanto, Garcia instalou em Oviedo a capital, que seria depois substituída pela cidade de Leão em 914, quando Ordonho II, seu irmão, lhe sucedeu e uniu a Galiza a Leão. Nestes dois reinados, as incursões aos território dominados pelos Árabes não tiveram êxito, em parte devido ao apogeu do califado de Córdova, governado por 'Abd al-Rahmãn III. Contudo, em 917, Ordonho II, com ajuda de Navarra, venceu o califa.
Depois do curto reinado de Fruela à frente de Leão (924-25), agudizaram-se as lutas internas. Seu sobrinho, Afonso IV, o Monge, filho de Ordonho, subiu ao trono mas logo abdicou a favor de Ramiro, seu irmão, que fora governador do território portucalense. Porém, Afonso IV arrependeu-se e proclamou-se novamente rei em Simancas. Ramiro II prendeu-o e assumiu o trono em 931. Neste reinado, houve uma enérgica reação leonesa contra os cordoveses, aos quais Leão conquistou várias praças. Também nessa altura, os condes de Castela começaram a agitar-se. Fernán González chegou mesmo a levantar-se contra Ramiro II, que resolveu então unir a sua família com a daquele conde, pedindo-lhe a mão de sua filha para o seu primogénito, Ordonho. Ramiro morreu em 951, abrindo caminho à anarquia e às querelas internas até 958, quando Ordonho IV se apoderou da coroa, na posse de Sancho I, graças a Fernán González. Recuperou-a, em 960, Sancho I, que tinha o apoio dos muçulmanos. A confusão, porém, não acabou com este rei, perdurando até ao fim do milénio. Aproveitou-se da situação Almançor, comandante militar árabe, e desbaratou quase toda a Península, inclusive a Terra Portucalense, já transformada em condado hereditáro. Portucale, Galiza e Leão constituíam ainda, nesta altura, uma unidade linguística e cultural. O rei da passagem do Ano Mil foi aclamado ainda de tenra idade - Afonso V, famoso por ter cumulado de privilégios a nobreza dos seus reinos. Por outro lado, promoveu o repovoamento e a reconstrução do reino, recuperou a capital (Leão), reforçou os municípios e ganhou terreno na Reconquista, aproveitando-se da decadência e da anarquia em que mergulhara o império muçulmano construído pelas razias de Almançor, falecido em 1002. Afonso V, em luta contra os muçulmanos, morreu em Viseu. Seu filho, Bermudo III (rei de 1028 a 1037), entretanto, casou-se com a irmã do conde de Castela, Garcia II Sanchez, assassinado por nobres de Álava.
Leão e Navarra, dois dos grandes reinos cristãos peninsulares, entraram em conflito no reinado de Bermudo, pondo-se fim às contendas em 1032, quando se acordou a paz e o casamento entre a irmã do rei de Leão, Sancha, e Fernando, filho do rei de Navarra, Sancho III Garcés. Nova guerra estalaria entre os dois reinos, desta feita com Castela a apoiar Navarra, nela morrendo Bermudo, em 1037, na Batalha de Tâmara, quando Leão já passava para além do Mondego e da Estrela. Sendo Sancha a herdeira do trono leonês, por inerência de casamento, o rei seria o seu marido, Fernando I, que assim seria o primeiro rei de Leão e Castela.
Ficaram os dois reinos unidos, exceto no período entre 1157 e 1230: neste último ano, Fernando III, filho de Afonso IX de Leão e de Berengária de Castela, subiu ao trono e uniu definitivamente Leão a Castela. No interregno de 1157-1230, já Portugal era um reino independente, deixando mesmo de ser vassalo de Leão, com D. Afonso Henriques, em 1169.
Como referenciar: Reino de Leão in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-13 21:52:27]. Disponível na Internet: