Reino Visigodo

Os Visigodos constituem um dos ramos dos povos Godos, que se dividem em Ostrogodos, "os Godos brilhantes" (ou do leste), e Visigodos, "os Godos sensatos"(ou do oeste). Pensa-se que serão oriundos de ilha escandinava, de Gotland, ou da península escandinava.
Emigraram para a bacia do Vístula nos inícios da era cristã, e em cerca de 200 d. C. deslocaram-se cada vez mais para sul. Acabaram por se misturar com as populações indo-europeias, instalando-se os Visigodos a ocidente e os Ostrogodos a oriente na Europa.
Até ao século III, são conhecidas várias incursões destes povos nos territórios longínquos do Império Romano: chegaram à Dácia, à Acaia e mesmo à Ásia Menor. No século IV, os Ostrogodos foram vítimas das invasões dos Hunos, e os Visigodos, para se precaverem contra este novo inimigo, pediram auxílio e proteção ao imperador de Constantinopla, obtendo assim permissão para se instalarem na província da Mécia. Os Visigodos acabaram por ser cristianizados, num processo em que teve papel preponderante o bispo Ulfila, que conhecia a língua dos Godos e traduziu a Bíblia para língua gótica.
Durante o século V, continuando a sua emigração para ocidente, os Visigodos chegaram à Trácia, à Macedónia, à Acaia, à Dalmácia, à Itália, à Narbonense e à Aquitânia. Em 624, dominavam já toda a Península Ibérica.
A hegemonia visigótica na Península perdurou até ao século VIII, quando se deram as invasões árabes, em 711.
O reino visigodo não chegou a atingir a estabilidade política pretendida. Na verdade, as lutas políticas revelaram-se um entrave ao desenvolvimento do comércio e da indústria. A agricultura, contudo, era uma grande preocupação, bem como a criação de gado. O rei visigodo era também o chefe máximo do exército, que se encontrava dividido em tiufados, comandados por um duque, um conde ou um gardingo.
Construíram várias igrejas, reutilizando materiais romanos, usando como principal técnica decorativa o baixo-relevo. Entre os principais monumentos visigóticos em Portugal conta-se a catedral da Egitânia, em Idanha-a-Velha, a igreja de S. Pedro de Balsemão, em Lamego, e a capela de S. Frutuoso de Montélios, em Braga.
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