Relações Borgonha/Portugal

As relações com a região francesa da Borgonha estão intimamente ligadas com a fundação do reino de Portugal, uma vez que D. Henrique, pai de Afonso Henriques, era borgonhês. De facto, com a Reconquista Cristã da Península Ibérica acorreram aos reinos de Leão e Castela muitos cavaleiros francos, como Raimundo, filhos segundos e, mais tarde, o referido Henrique, ambos da casa ducal de Borgonha, descendentes de Hugo, o Grande, ancestral da dinastia dos capetos depois reinante em França. Estes dois cavaleiros desposaram as filhas do rei de Leão, Afonso VI, Urraca e Teresa. Raimundo recebeu o condado da Galiza e Henrique o condado Portucalense, que fazia fronteira com os árabes. A família ducal de Borgonha era poderosa, tendo dentro do seu território as abadias de Cluny e Vézelay, que controlavam. Alguns dos seus membros estavam bem colocados na corte leonesa (rainha Constança) e em Cluny (como o abade Hugo), a mais importante instituição (pós ano 1000 em termos de cultura, religião e civilização do Ocidente medieval, a par de Cister). A família condal também possuía uma enorme teia de influências, com um dos seus membros a ser coroado papa (Calisto II), através de Cluny. Servindo-se da sua ascendência, Afonso Henriques, numa política de afirmação autonómica em relação ao reino vizinho, desposa fora da Península, ligando-se à região natal de seu pai. De facto, a rainha D. Mafalda (ou Matilde) era sobrinha de uma irmã de D. Raimundo e filha do conde Amadeu de Saboia e Piemonte, vassalo do Sacro Império Romano Germânico, o que fortaleceu ainda mais a posição do reino nascente junto da cristandade ocidental.
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