Relações de Portugal com os Países Lusófonos

A relação de Portugal com África e Brasil e demais espaços da Lusofonia foi consagrada como uma das prioridades da política externa do XVII Governo que tomou posse em março de 2005. As relações transatlânticas e de cooperação ativa com os países lusófonos (Portugal, Brasil, PALOP – Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, Timor-Leste), como desde há 30 anos, constituem um dos eixos vetoriais da política externa de Lisboa, em níveis cada vez maiores e numa multissectorialidade crescente, reforçando a importância da língua portuguesa como elemento de unidade e fator de coesão na Lusofonia e principalmente nas jovens nações africanas e em Timor. A cooperação com a Lusofonia visa essencialmente a África mas também Timor e, num plano distinto, Macau, reduzindo-se sempre que recordamos outros espaços onde o português é uma das línguas mais faladas (Goa, Diu, Damão, territórios vizinhos dos PALOP).
A cooperação com os países lusófonos não passa apenas pelo fomento e difusão da expressão e língua portuguesa, através da cultura, da RTP Internacional e da RTP África e das estações de rádio ou da imprensa, mas também através do intercâmbio cultural e da circulação de quadros e agentes de cultura. A CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) é uma das estruturas através da qual Portugal tem procurado estabelecer programas de cooperação ao nível da cultura e do ensino. Existe também cooperação ao nível militar e da segurança, através da formação de quadros militares lusófonos nas Forças Armadas e policiais portuguesas. A mais importante fatia da cooperação é a que está relacionada com a formação profissional e a assistência humanitária, além da cooperação ao nível médico e sanitário. Uma das linhas de cooperação mais fortes é a relacionada com o apoio a programas de combate às doenças sexualmente transmissíveis (como a Sida), um flagelo principalmente em África. Os apoios portugueses aos ministérios da saúde de alguns PALOP são também efetivos. Os programas Bolsa-Escola têm também linhas de ação em quase todos os PALOP, onde os projetos de alfabetização promovidos por Portugal têm alcançado alguns resultados muito satisfatórios. A cooperação regista-se também ao nível do desenvolvimento empresarial, da formação de quadros para a administração pública, ao nível técnico e científico (nomeadamente na área das telecomunicações), formação de quadros de saúde ou na rentabilização da agricultura (como o programa ligado ao cacau em S. Tomé e Príncipe).
Todos os Palops, como Timor, são países cujas economias e modelos de desenvolvimento integrado dependem da ajuda pública internacional, na qual Portugal se assume como placa giratória (como o Brasil) perante a UE (União Europeia), a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) e outros centros de apoio internacional, além das ONG's (Organizações Não-Governamentais). A lusofonia é tida pois como um bem comum, um património que urge manter e criar laços de aproximação e desenvolvimento nos seus estados-membros.
Como referenciar: Relações de Portugal com os Países Lusófonos in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-11 19:38:56]. Disponível na Internet: