relativismo (sociologia)
O relativismo, enquanto posição filosófica, defende que o conhecimento é relativo ao sujeito que conhece ou a um ponto de vista. O corolário do relativismo cognitivo é a suposição ontológica de que a realidade não existe em si mesma, independentemente de um ponto de vista sobre ela. A questão do ponto de vista põe-se com Merleau-Ponty, nos termos da "fenomenologia da perceção": "Os "acontecimentos" são recortados por um observador finito na totalidade espácio-temporal do mundo objetivo. Mas se eu considerar este mundo em si mesmo, ele não é senão um ser indivisível que não muda. A mudança supõe um certo lugar no qual eu me coloco e donde vejo desfilarem as coisas; não existem acontecimentos sem alguém a quem eles aconteçam e cuja perspetiva finita funda a sua individualidade". A realidade é, portanto, relativa a uma perspetiva.
Também a questão, cara à Sociologia, das relações entre o indivíduo e a sociedade põe-se, em termos lógicos, do seguinte modo: o coletivo e o individual reportam-se a um ponto de vista ou a uma perspetiva. Como observa Descombes, "reencontra-se a lição de Rousseau: perante o estrangeiro, o corpo do povo torna-se um ser simples, um indivíduo". Do ponto de vista das relações entre Estados, por exemplo, o Estado não é visto como o conjunto dos cidadãos (o aspeto coletivo), mas como um todo (o aspeto individual).
Em termos das correntes sociológicas, o positivismo de Comte e de Spencer está marcado pelo relativismo. Spencer tem consciência das dificuldades subjetivas (os preconceitos de classe, religiosos, políticos, sociocêntricos) e das dificuldades objetivas em todo o processo de indução.
O relativismo apresenta-se como uma conceção que considera a relatividade do conhecimento, em função do contexto sociocultural em que ele está inserido, e a relatividade das normas morais e políticas. Weber é relativista no que respeita aos valores individuais ou coletivos. Ao relativismo dos valores individuais, ele vai, contudo, opor a "responsabilidade" do ator individual, como sendo a contrapartida da liberdade de escolha. O relativismo ético está ainda submetido à exigência de legitimação e realização dos valores, retirando a estes qualquer carácter arbitrário. No que respeita ao relativismo epistemológico, Weber defende a "neutralidade axiológica", na medida em que ele considera que o juízo moral do sociólogo não o deve impedir de compreender e explicar os fenómenos sociais.
A conceção do relativismo cultural pode ser atribuída ao antropólogo americano Boas, quando recusa o modelo evolucionista dos estados progressivos de uma evolução universal e mostra que cada cultura é única e específica, devendo, por isso, ser vista nas suas particularidades. No domínio da Antropologia Cultural, fundada por Boas, desenvolve-se, nos anos 30 do século XX, a escola do culturalismo americano, cuja atenção vai para as ligações entre a cultura e a personalidade. O culturalismo é uma forma de relativismo que afirma a multiplicidade, a diversidade e a especificidade das culturas. Cada sociedade tende a constituir uma totalidade cultural que é original.
Hoje, o relativismo está ainda presente na defesa das minorias e do direito à diferença, a par da defesa dos direitos universais dos homens; neste aspeto, o relativismo convive com o universalismo.
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