reprodução seletiva (técnicas tradicionais e modernas)

Desde há muito tempo que se utilizam técnicas de reprodução seletiva, selecionando as sementes das melhores plantas para a sementeira. Também se promove o cruzamento entre plantas com diferentes características (por exemplo, um trigo que produz muitos grãos com um trigo mais resistente a herbicidas) de forma a obter plantas que reúnam as características desejadas (um trigo que produz muitos grãos e é, simultaneamente, resistente a herbicidas). A multiplicação vegetativa usada através de processos de estaca, alporquia, enxertia e mergulhia é outra técnica de reprodução seletiva usada há muito tempo. Nestes processos explora-se a capacidade que muitas plantas têm de se desenvolverem a partir de uma parte - por exemplo, se colocarmos certos caules na água, eles desenvolvem raízes e dão origem a novas plantas completas. As plantas assim multiplicadas dão origem a plantas híbridas ou a clones da planta originária. Uma técnica mais recente é a clonagem por micropropagação que se realiza in vitro. Colocam-se explantes (pequenas partes da planta) num determinado meio de cultura, que por sua vez vão produzir um tecido caloso ou calo cujas células são totipotentes - com capacidade de diferenciação e de originar um novo ser vivo. Estes calos fragmentados e colocados em meios próprios dão origem a novas plantas. Esta técnica tem sido muito utilizada para a comercialização de plantas, pois permite uma rápida multiplicação em espaços reduzidos. A hibridação de plantas in vitro é uma técnica que permite ultrapassar a incompatibilidade sexual. Nesta técnica promove-se a fusão de protoplastos - célula de uma planta a que se destrói a parede celular - que originam plantas híbridas. O desenvolvimento de plantas transgénicas com características mais favoráveis é outro processo habitual.
Em relação aos animais, também, se promoveram cruzamentos entre diferentes raças na tentativa de obter animais maiores, mais saudáveis ou que produzam mais leite, por exemplo. São também usadas técnicas de fertilização in vitro, com posterior transferência dos embriões para o útero de fêmeas, e de inseminação artificial, de modo a que de um macho selecionado se possa inseminar diversas fêmeas. A clonagem de animais é outro processo e pode ser feita a partir de células embrionárias - separam-se as células (ainda totipotentes) de um embrião no seu estado inicial - ou de células não reprodutivas - onde se substitui o núcleo de um óvulo pelo de uma célula de um adulto. O primeiro caso é muito usado na pecuária, mas não se sabe o resultado final, porque resulta de uma reprodução sexuada. No segundo caso, que tem sido experimentado em várias espécies, conhece-se o resultado final: um ser igual ao indivíduo que cedeu o núcleo. Este método de clonagem não tem dado bons resultados devido ao facto de os animais clonados apresentarem muitos defeitos congénitos, envelhecimento prematuro e uma elevada taxa de mortalidade. A produção de animais transgénicos que apresentam características que se consideram mais proveitosas como a rapidez no crescimento ou a resistência a determinadas agressões são outro processo da reprodução seletiva.
Com todas estas técnicas pretende-se aumentar a produtividade para a obtenção de benefícios económicos, mas corre-se sempre o risco da perda de biodiversidade.
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