Reserva Natural da Serra da Malcata

A Reserva Natural da Serra da Malcata ocupa uma área de cerca de 22 000 hectares, parte no concelho de Penamacor, parte no de Sabugal, e é rodeada por uma cintura de aldeias - Foios, Vale de Espinho, Quadrazais, Malcata, Meião e Meimoa.
A Machoca, o seu ponto mais elevado, sobe a pouco mais de 1000 m de altitude, sendo o ponto mais elevado de um maciço cuja altitude média oscila em torno dos 800 metros, não descendo, na sua cota menos elevada, junto ao rio Bezágueda, abaixo dos 500. Os inúmeros barrancos de carácter ravinado que se sucedem serra fora e a rede de linhas de água que a percorrem, em que se destaca o rio Coa e as ribeiras da Meimoa e da Bezágueda, são zonas de difícil acesso.
No que diz respeito ao aspeto geológico dominam os xistos e grauvaques, apenas interrompidos pelos afloramentos rochosos de um filão quartzítico. No que diz respeito à flora, a serra da Malcata é constituída por pinheiro bravo, eucalipto e bosquetes de carvalho-negral, estes situados nas encostas viradas a norte, que vão cedendo lugar à azinheira à medida que nos deslocamos para sul. Pode-se também encontrar freixos, amieiros e salgueiros que, formando uma galeria, ladeiam as linhas de água e um ou outro castanheiro ou sobreiro.
São o matos que dominam a paisagem, variando a sua composição de acordo com a altitude, exposição ou a própria composição florística das formações em que se originaram. Giestas, urzes e medronheiros predominam nos locais mais frios enquanto a esteva povoa as zonas mais secas. Em determinadas circunstâncias, os medronhais apresentam uma fisionomia arbustiva, existindo os de grande porte, atingindo por vezes mais de 6 m de altura.
De entre todos os animais que têm esta serra por habitat, o lince-ibérico, cuja proteção constitui a razão primeira da criação da reserva natural, é certamente o seu membro mais destacado. Espécie endémica da Península Ibérica e atualmente um dos mamíferos mais ameaçados da Europa, o lince-ibérico, cujo efetivo global sofreu uma redução drástica já no decorrer do nosso século, distribui-se por seis núcleos principais, repartidos por entre Portugal e Espanha.
De uma forma geral, a regressão desta espécie em Portugal pode associar-se às profundas transformações que a célebre "campanha do trigo", no decorrer dos anos 40, produziu em áreas até então incultas do território, mas sem qualquer aptidão agrícola, há mixomatose, doença que na década de 50 vitimou o coelho, alimento preferencial do lince, e às arborizações recentes de carácter monocultural que vão cobrindo antigas áreas de matagal.
Para além do lince-ibérico, a serra da Malcata alberga um outro sobrevivente de uma outra espécie ferozmente perseguida, o lobo, além de outros mamíferos cuja conservação é igualmente importante, como é o caso do gato-bravo, do texugo, da gineta, do saca-rabos, da lontra e da pequena toupeira-de-água. Poder-se-á ainda encontrar o abutre-negro, a cegonha-preta, as felosas-do-mato, as petinhas-dos-campos, os rouxinóis, as toutinegras-carrasqueiras e chapins.
As trutas povoam alguns cursos de água, enquanto anfíbios como o sapo-parteiro, o sapo-de-unha-negra, o sapo-corredor, a rã-ibérica, e répteis como o sardão, a lagartixa-de-água, a cobra-austríaca e a cobra-de-pernas-pentadáctila, entre outros, estão bem representados na área da reserva natural.
Como referenciar: Reserva Natural da Serra da Malcata in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-22 02:27:39]. Disponível na Internet: