Reserva Natural de Paul de Arzila

Criada a 27 de junho de 1988, segundo o Decreto-Lei n.º 219/88, a Reserva Natural do Paul de Arzila situa-se a cerca de 11 km a oeste de Coimbra, na margem esquerda do rio Mondego, com uma orientação de nor-noroeste para su-sudeste e faz parte do concelho de Condeixa-a-Nova (freguesia de Anobra), do concelho de Coimbra (freguesia de Arzila) e do concelho de Montemor-o-Velho (freguesia de Pereira do Campo). O paul propriamente dito é uma zona baixa, húmida, com cerca de 150 hectares que se alonga por parte do percurso da ribeira de Cernache, no sentido norte-sul.
A reserva abrange uma área de 585 hectares, sendo limitada a norte pela linha do caminho de ferro do Norte, a oeste pela estrada municipal 1097, a sul pelas linhas de alta tensão e, a leste, pela estrada municipal 605. Apresenta um comprimento máximo de cerca de 4 km, sendo a largura máxima de 2,5 km, com altitude mínima de 5 metros perto da Ponte da Moita e a máxima de 87 metros próximo da estrada municipal 1097.
O coberto vegetal do paul de Arzila é dominado por espécies hidrófilas, de entre as quais de destacam, pela superfície ocupada, o bunho e, menos abundante, o caniço. Nas valas é frequente a presença do lírio-amarelo e da pinheirinha, enquanto choupos, salgueiros e loureiros surgem nos cômoros e caminhos. Nas encostas do vale, a mata que as cobre é essencialmente constituída por pinheiro-bravo e eucalipto, notando-se ainda a presença de alguns sobreiros e carvalho-negral. Associada às características específicas do paul e nomeadamente à sua vegetação, existe toda uma fauna de vertebrados, dentre os quais se destaca, quer pela sua diversidade quer pelo número de indivíduos presentes, a avifauna. No respeitante a esta última, nos dois períodos do ano que correspondem à passagem das correntes migratórias do sistema paleártico-africano - início da primavera e fim do verão - o paul assume uma importância adicional que se traduz pelo aumento significativo das espécies nele presentes.
De entre as espécies aladas, as garças - garça-boieira, garça-real e garça-branca - são invernantes, sendo a primeira a mais comum. No verão, surge a garça-vermelha, que se alimenta de peixes, insetos aquáticos, rãs, cobras e pequenos mamíferos.
A galinha-d'água e o frango-d'água são sedentários, tal como algumas aves de presa, como é o caso da águia-de-asa-redonda e do gavião. A cegonha-branca nidifica no arvoredo em torno do paul. Finalmente, quanto aos anatídeos destaca-se o pato-real, que pode ser observado ao longo do ano, enquanto a marrequinha, o pato-trombeteiro e o marreco são invernantes.
No domínio dos mamíferos deve salientar-se a presença da lontra, que tem sido objeto de uma perseguição por parte daqueles que se dedicam à pesca fluvial, por se ter propagado a ideia de que este mamífero é um destruidor da fauna piscícola.
De entre os peixes, a enguia já foi outrora mais numerosa nas valas do paul, enquanto que os répteis e anfíbios estão representados por várias espécies, podendo observar-se entre outros o lagarto-d'água, o tritão-marmorado e a rã-verde.
O paul da vida animal vive essencialmente da água escondida por um tapete de bunho e de junção. O bunho e a junção estão por sua vez na origem de uma atividade tradicional da população de Arzila, hoje, porém, sem o vigor que a caracterizou em épocas passadas: a manufatura de esteiras. As esteiras são utilizadas quer pelos viveiristas na proteção e transporte de plantas jovens quer como elemento condicionador de vasilhame ou ainda como protetor do sol.
Como referenciar: Reserva Natural de Paul de Arzila in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-05-25 00:22:10]. Disponível na Internet: