Revolta dos Camponeses

A chamada Guerra ou Revolta dos Camponeses (em alemão Der Deutsche Bauernkrieg) ocorreu entre 1524 e 1525 nas zonas a Sul, a Oeste e a Este da Alemanha, assim como nas regiões fronteiriças da Áustria e da Suíça. Esta revolta foi motivada pelo descontentamento tanto com as condições sociais (os camponeses eram a classe mais baixa, sem privilégios, propriedade dos empregadores, extorquidos do que produziam e sujeitos a impostos insuportáveis) como com as religiosas (a Reforma tinha posto em evidência o estado pouco digno em que se encontravam os eclesiásticos), tendo sido despoletada por Mark Thomas Stübner, Thomas Dreschel e Nicholas Storch, alcunhados de "os profetas de Zwickau". Esta denominação deve-se à sua origem, tendo chegado os três seguidores de Thomas Münzer (antigo discípulo de Lutero) a 21 de dezembro de 1521 a Wittenberg com o objetivo de propagar uma doutrina ainda mais drástica que a preconizada por Martinho Lutero, manifestando-se contra o batismo e a favor da igualdade e distribuição equitativa de bens e privilégios. Tiveram sucesso entre professores e estudantes, tendo a universidade e outras escolas encerrado as portas. Lutero, não se identificando com estes ideais, acabou por proibir a estadia dos Anabatistas nas cidades de Erfurt, Zwickau e Wittenberg, mas Münzer, cabeça do movimento, continuou a sua obra e contribuiu decisivamente para a disseminação do descontentamento das classes inferiores para com as que ocupavam o topo da pirâmide, aliando a crítica aos sistemas religioso e político instituídos a propostas de igualdade e irmandade que minariam completamente o sistema feudal. Foi por esta razão que todos os esforços foram feitos para combater a insurreição, aliando-se a nobreza e as cidades ao exército do imperador Carlos V e resultando a derrota final em Frankenhausen, a 15 de maio de 1525. Thomas Münzer foi executado, assim como alguns dos seus seguidores, e Martinho Lutero encontrou-se numa posição delicada, uma vez que, além da condenação por heresia declarada em 1521, foi acusado de incentivar os Anabatistas, cujo chefe tinha sido seu seguidor no movimento reformista. Crê-se que neste conflito terão perecido cerca de cem mil camponeses.
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