Revolta dos Cossacos Ucranianos

A palavra cossaco deriva do vocábulo turco kazak, que siginfica homem livre. A imagem que deles dão os documentos dos séculos XIV e XV é precisamente essa. Eles são descritos como aventureiros de várias nacionalidades, mas sobretudo tártaros, que erravam pelas estepes do litoral do mar Negro. Não definiremos aqui as várias famílias de cossacos existentes nos diversos territórios que compunham a antiga Rússia mas concentrar-nos-emos nos cossacos ucranianos.
Tal como entre as outras famílias, os cossacos da Ucrânia tinham uma organização de tipo militar. Elegiam um chefe supremo (hetman) que era assistido por um conselho de anciãos (starchina); a população estava repartida por uma série de "regimentos" (polks), comandados por "coronéis" (polkovniks) e subdividos em sotnias dirigidas por um "centurião" (sotnik). Esta organização, aperfeiçoada com o tempo, fez com que, na segunda metade do século XVI, os cossacos se tornassem uma força político-militar com que era necessário contar no panorama da Europa Oriental.
Estes moveram constantes expedições contra os turcos e contra os tártaros da Crimeia e causaram enormes problemas aos polacos quando estes se estabelecerem e dominaram a Ucrânia, ainda durante essa centúria. Os polacos procuraram disciplinar este povo, embora não tivessem conseguido grandes resultados. Aliás, entre os finais do século XVI e os finais do século XVIII a "questão cossaca" assumirá, simultaneamente, aspetos sociais, religiosos e nacionalistas. Esta será a questão mais grave com que os polacos se defrontarão. Após um primeiro levantamento em 1595, os cossacos retomaram as armas em 1637 e muitos deles fixaram-se na região entre o Donetz e o Don, fundando um novo estabelecimento cossaco: a chamada Ucrânia slobidska.
Em 1648, respondendo ao apelo de Khmielnitsky, toda a bacia do Dniepre se levanta contra os polacos. A Moscóvia, habilmente, tira partido do movimento cossaco e aproveita para consolidar o seu avanço sobre a Ucrânia. Apesar de se aperceberem destas intenções, os cossacos não conseguiram evitá-las. O hetman Mazeppa, que se havia aliado a Carlos XII da Suécia para conseguir a autonomia ucraniana, não concretizou os seus intentos e o seu falhanço comprometeu irremediavelmente as liberdades cossacas. Depois da vitória na Batalha de Poltava (1709), os moscovitas afirmam-se como senhores dos destinos destes guerreiros. Em 1722, Pedro o Grande nomeará um "pequeno colégio russo", encarregado de controlar as ações do hetman e irá estimular o desenvolvimento de uma espécie de "oligarquia" nobiliária, surgida ainda sem expressão no final da centúria de Seiscentos, que será causa principal da quebra de solidariedade entre estes velhos guerreiros das estepes.
O último hetman, Cirílio Razoumovsky, eleito em 1750, é o reflexo desta decadência. O marido da csarina Isabel será forçado a abdicar em favor de Catarina, a Grande em 1764. Em 1775, alguns chefes cossacos, fiéis às velhas tradições, ainda tentaram um último golpe de dignidade; contudo, uma traição interna conduziu-os aos calabouços e dispersou grande parte do seu povo. Alguns fugiram para a Turquia, enquanto que outros, humilhados, tornaram-se camponeses sujeitos ao serviço militar russo.

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