Revolução Liberal Espanhola

Com raízes na Constituição de Cádis (1812), esta Revolução de 1820 levou ao poder os liberais que tinham sido perseguidos por Fernando VII aquando do seu retorno do exílio em França. Portugal foi nesta fase um dos refúgios eleitos pelos liberais espanhóis, como foi o caso do general Francisco Javier Cabanes, que procuraram apoios para os seus ideais revolucionários. A 1 de janeiro de 1820 o general Riego e as suas tropas conseguiram impor o regime constitucional de 1812, contra o absolutismo de Fernando VII. Assim, a Constituição foi reposta e medidas como a venda das propriedades monásticas e conventuais foram tomadas. Os liberais, maioritariamente burgueses radicais e progressistas, apoiaram-se no corpo militar e tiveram uma grande oposição por parte dos conservadores, liderados por Francisco Martínez de la Rosa, que pretendiam uma Constituição que outorgasse mais direitos ao rei e às classes superiores, além de o fator maior de descontentamento fossem as medidas tomadas contra a Igreja. Também as classes inferiores estavam descontentes com as medidas fiscais do novo governo e da alteração de estatuto da Igreja. Esta revolução alastrou-se depois às colónias espanholas, onde os ideais libertários do Liberalismo e de igualdade e emancipação dos povos estavam cada vez mais impregnados nas sociedades coloniais, principalmente entre os mais cultos e letrados, que tinham estudado na Europa, onde beberam essas influências. O México, por exemplo, uma das mais importantes colónias espanholas, tornou-se independente em 1821, a que se seguiu a Bolívia, embora desde a Constituição de Cádiz vários movimentos independentistas na Hispano-América se tenham coroado de êxito (o Chile em 1818, a Grande Colômbia em 1819 e o Peru, em 1821, entre outras). Das antigas colónias de Espanha, acabaram por remanescer apenas as Filipinas, Cuba e Porto Rico, que apenas conheceriam a independência em 1898, na Guerra Hispano-Americana.
O rei francês Luís XVIII apoiou os conservadores, centrados em Seo de Urgel, e o exército, conhecido como "Os Cem Mil Filhos de São Luís", foi enviado para finalmente vencer o governo liberal em julho de 1822, já debilitado pelas oposições internas, e restabelecer o absolutismo. A década entre os anos de 1823 e 1833 foi marcada pela forte e impiedosa perseguição aos que tinham sido adeptos do liberalismo, mas o rei Fernando VII também tentou travar os conservadores extremistas, que representavam um entrave à evolução económica do país. Entretanto, nos anos de 1824 e 1830, os liberais no exílio tentaram invadir Espanha, sem sucesso.
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