Ricardo Pais

Encenador português de teatro, nascido em 1945, em Maceira Liz, teve as primeiras experiências como ator no Grupo Cénico Maceira Liz, dirigido pelo pai.
No tempo de escola, foi o protagonista de uma representação de O Meu Caso, de José Régio.
Em 1964 foi estudar Direito para Coimbra, mas descobriu a sua vocação para o teatro, tendo feito alguns trabalhos como ator. Em 1968 mudou-se para Londres, onde se formou em encenação no Drama Center, em 1971. Viveu na capital inglesa até 1974 e foi aí que fez o seu primeiro trabalho profissional de encenação com a peça de Lorca, Amor de Dom Perlimplim com Belisa no seu Jardim.
Ricardo Pais regressou a Portugal em 1974 e, no ano seguinte, iniciou uma colaboração com o grupo Os Cómicos, para quem encenou As Cuecas, de Carl Sternheim. Elogiado pela crítica, prosseguiu a carreira com A Mandrágora, de Maquiavel, Matinée Mágica, de Wolfgang Bauer, e Ninguém, inspirado em Frei Luís de Sousa.
Ricardo Pais começou também a assinar guiões originais, como Terceiro Mundo, em 1981, ou outros baseados nas obras Aquilino Ribeiro, Fernando Pessoa e Padre António Vieira.
Nos anos seguintes, encenou grandes obras de autores portugueses e estrangeiros como Arranha Céus, de Jacinto Lucas Pires, Madame, de Maria velho da Costa, Minetti, de Thimas Bernhard, As Lições, de Ionesco, A Tragicomédia de Dom Duardos, de Gil Vicente, Castro, de António Ferreira, Noite de Reis e Hamlet, de Shakespeare.
Também assinou alguns espetáculos com inspiração musical, como Cabelo Branco é Saudade, dedicado ao fado.
Paralelamente à carreira de encenador, Ricardo Pais foi também professor na Escola Superior de Cinema do Conservatório Nacional e autor de conferências e seminários em Portugal e no estrangeiro.
Em 1984 tinha iniciado também um carreira como gestor cultural, ao dirigir a Área Urbana, Núcleo de Ação Cultural de Viseu, ao qual sucedeu o Fórum Viseu, dois anos mais tarde. Em 1989 e 1990 foi diretor do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, e em 1992 e 1993 assumiu as funções de Comissário-Geral de Coimbra Capital do Teatro.
Em 1997 tomou posse como diretor do Teatro Nacional São João, no Porto, e esteve em funções até 2000. Acabou por regressar ao Teatro São João nas mesmas funções em 2002, mantendo sempre a atividade de encenador.
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