Richard Burton

Ator britânico, Richard Walker Jenkins Junior nasceu a 10 de novembro de 1925, em Pontrhydfen, no País de Gales. Filho de um mineiro que tinha 13 filhos, o jovem Richard, apesar de viver numa casa humilde, desenvolveu um inusitado gosto pela leitura, lendo uma obra por dia. O seu professor de Inglês, Philip Burton, descobrindo no jovem enormes potencialidades, conseguiu arranjar-lhe uma bolsa de estudo para a Universidade de Oxford, onde se veio a matricular em Artes Dramáticas. Como forma de agradecimento, Richard adotou o apelido do seu professor e foi com essa nova designação que se estreou nos palcos amadores, em 1943. Interrompeu o seu curso para ingressar na RAF britânica durante a Segunda Guerra Mundial. Findo o conflito, estabeleceu-se em Londres, deslumbrando o público em adaptações teatrais shakespearianas. O seu batismo cinematográfico fez-se através de um discreto papel em The Last Days of Dolwyn (1949). Nesse mesmo ano, protagonizou a peça The Lady's Not for Burning, que foi um enorme sucesso nos palcos londrinos, o que lhe valeu um convite para a apresentar na Broadway. Repetiu o êxito em solo americano, impressionando os produtores dos principais estúdios de Hollywood, que lhe acenaram imediatamente com ofertas de trabalho: My Cousin Rachel (A Prima Raquel, 1952) foi o seu primeiro filme nos EUA e valeu-lhe a nomeação para o Óscar de Melhor Ator Secundário, nomeação estranha já que Burton foi o protagonista do filme. O filme bíblico The Robe (A Túnica, 1953) valeu-lhe nova nomeação para o Óscar de Melhor Ator pelo seu papel de Marcellus, o centurião que comandou as tropas romanas durante a crucificação de Jesus Cristo. Contudo, os seus filmes seguintes não foram muito bem-sucedidos no box-office, o que o levou a regressar à Grã- Bretanha. Em 1960, voltou à Broadway, tendo vencido um Tony por protagonizar o musical Camelot. Esteve envolvido como ator num dos maiores desastres comerciais de sempre: Cleopatra (1963) onde interpretou a figura de Marco António. Durante as rodagens, apaixonou-se por Elizabeth Taylor, com quem iniciou um tórrido e mediático romance. Casaram-se no mesmo ano, altura em que começaram a surgir nos jornais rumores de graves problemas de Burton com o álcool. Não obstante, tornou-se um dos atores mais requisitados da década de 60. A comprová-lo as quatro nomeações para o Óscar de Melhor Ator em cinco anos: foi um irrepreensível Arcebispo Thomas Becket em Becket (1964), um desiludido agente secreto em The Spy Who Came in for the Cold (O Espião Que Veio do Frio, 1965), um professor universitário alcoólico em Who's Afraid of Virginia Woolf (Quem Tem Medo de Virginia Woolf, 1966) onde arrancou a melhor interpretação da sua carreira ao lado da sua esposa Elizabeth Taylor e encarnou o rei inglês Henrique VIII em Anne of the Thousand Days (Rainha Por Mil Dias, 1969). Na década de 70, a sua estrela esmoreceu um pouco: divorciou-se de Taylor em 1974, tendo ambos voltado a contrair matrimónio no ano seguinte. Em 1974, por ter feito considerações pouco abonatórias sobre a figura de Winston Churchill, foi vetado pela BBC, que se recusou a chamá-lo para trabalhar nas suas séries. No ano seguinte, durante um programa televisivo em direto, assumiu o seu alcoolismo e escandalizou cinéfilos ao assumir que só trabalhava pelo dinheiro, não recusando por isso atuar em produções de pobre qualidade. Apesar disso, arrancou a sétima nomeação para Óscar por uma sóbria interpretação de psiquiatra em Equus (1977). Depois disso, protagonizou o filme de ação The Wild Geese (Gansos Selvagens, 1978), encarnou o compositor Wagner (1983) numa série televisiva e despediu-se da melhor forma com o filme futurista 1984 (1984). Faleceu em Genebra, vítima de uma hemorragia cerebral, a 5 de agosto de 1984.
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