Robert Hooke

Físico britânico, nasceu a 18 de julho de 1635, na Ilha inglesa de Wight, e faleceu no dia 3 de março de 1703. Apresentando desde sempre uma saúde muito débil, cedo se começou a interessar por modelos mecânicos e pelo desenho, tendo-se revelado, inclusive, um excelente desenhista. Impossibilitado, no entanto, de seguir uma carreira como pintor devido à sua intolerância ao cheiro dos vernizes e tintas, ingressou, com 18 anos, na Universidade de Oxford. Aceitou e desempenhou vários empregos humildes de forma a poder manter o seu sustento, acabando por se tornar assistente de laboratório de Robert Boyle - e, mais tarde, seu colaborador nos estudos sobre gases -, iniciando assim a sua carreira científica. Por volta de 1658, Hooke construiu a bomba de ar que permitiu a Robert Boyle enunciar a famosa lei da compressibilidade dos gases, posteriormente conhecida por lei de Boyle. Muitos autores defendem, porém, que tal enunciado deveria chamar-se Lei de Hooke devido ao inquestionável envolvimento de Robert Hooke nas experiências que conduziram à sua formulação. Em 1660, enunciou a lei da elasticidade (ou lei de Hooke), segundo a qual as deformações sofridas pelos corpos são, em princípio, diretamente proporcionais às forças que se aplicam sobre eles. A sua destreza para com os modelos mecânicos e respetivas experimentações valeu-lhe a eleição, em 1663, como membro da Royal Society. Dedicou-se, entre muitas outras atividades, à observação dos astros, deixando notas que foram importantes para as pesquisas astronómicas posteriores; enunciou uma lei sobre a gravidade que foi mais tarde aperfeiçoada por Newton; estudou termodinâmica e ótica; lecionou geometria no Greshan College. Por volta de 1661, ainda como assistente de Robert Boyle, Hooke publicou o seu primeiro livro: Uma Tentativa de Explicação dos Fenómenos Observados numa Experiência Publicada pelo Honorável Robert Boyle. Seria, no entanto, com Micrographia, editado em 1665, que Hooke se consagraria nos meios científicos da Inglaterra e do continente, ficando ao nível de cientistas extremamente reputados, precursores dos estudos microscópios, como Antonie van Leeuwenhoek e Marcello Malpighi. Naquele livro, Hooke descreve o primeiro microscópio composto de partes móveis e outros instrumentos originais, como, por exemplo, o primeiro refratómetro para líquidos, o primeiro barómetro de leitura direta, um termómetro a álcool e expõe os esboços para a construção de um higrómetro. As inúmeras ilustrações daquela publicação representam descobertas fundamentais, algumas das quais permaneceram como padrão durante longos anos: o olho da mosca caseira, a metamorfose da larva do mosquito e a estrutura das penas das aves. Foi também graças às observações realizadas com o microscópio que Hooke, ao estudar lâminas de cortiça, usou pela primeira vez na história da ciência a palavra célula, ao descrever as pequenas celas vazias formadas pelas paredes das células mortas da casca do sobreiro.
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