romance

Foi preciso esperar pela época do Romantismo (século XVIII) para que se criassem as primeiras bases sólidas do romance. Antes disso, apenas se produzia a novela - em todas as suas variantes de novela de cavalaria, novela pastoril, novela alegórica, etc. - que andava, sensivelmente, ao nível do romance de aventuras em série e do romance de folhetim.
Influenciado pelas bases de conhecimento que Portugal tinha do romance histórico europeu - com os exemplos de Walter Scott e Victor Hugo - o romance português "aprendeu" a observar o real pitoresco (há muito esquecido) e a adaptar uma técnica mais desenvolvida que procurava reduzir os momentos de verdadeira ação àqueles momentos capitais, fulcrais, ao mesmo tempo que se "aprendia" a usufruir da animação do diálogo.
O romance histórico português produziu brilhantes exemplos, multiplicando o número de autores que o adotaram, revelando ao mundo das Letras portuguesas nomes marcantes como os de Alexandre Herculano, Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco, A. da Silva Gaio (1830-1870), e outros. Este gosto pelo histórico, amplamente falado por Eça de Queirós, encontrou plena afirmação quando, em 1875, Eça introduziu em Portugal o romance realista, ao publicar a primeira versão d' O Crime do Padre Amaro. Considerado um artista de formação europeia mas alma radicalmente portuguesa, a personalidade e o estilo de Eça de Queirós dominaram por várias décadas a literatura de ficção em Portugal.
Embora Camilo Castelo Branco seja considerado como o primeiro grande criador da ficção em Portugal - defendendo com simplicidade os ditames do coração contra os preconceitos da sociedade - Eça marcaria, sem dúvida, a maior pedra do padrão da ficção portuguesa.
Para além destes nomes, aparecem ainda os de José Júlio dos Santos Nazaré que, em 1870, lançou uma curiosa experiência do romance íntimo, falado na primeira pessoa. Seguiram-se-lhe nomes como os de Carlos Malheiro Dias, autor que retomou o romance histórico e passional, mas utilizando já processos realistas; a Geração do Orpheu (1915) que apareceu com uma fantástica expressão simbólica de inquietude do drama interior, ampliando, assim, os horizontes da novelística pelo afloramento e análise de aspetos novos da vida interior, dados através de pontos de vista e estilos incontornavelmente pessoais; o movimento da Presença (1927-1940) com todo o seu psicologismo que fez doutrina, trazendo à luz romancistas que são também críticos, como é o caso de, por exemplo, José Régio; seguiu-se-lhes a época do romance neorrealista, em que Ferreira de Castro foi o mais marcante precursor, lançando para o romance uma intenção social claramente de protesto.
Hoje, felizmente, são muitos e bons os cultores portugueses do romance. Tendo a oportunidade de contacto com o romance moderno de outros países - como Inglaterra e os Estados Unidos - abriram caminho a novas "formas" de romancear.
Com base em problemáticas que tocam a introspeção, o recurso à memória, a análise por vezes cruel da alma, com todas as suas misérias e interrogações, o viver incerto e repartido do tempo, a temática do sonho e até mesmo do maravilhoso embrenhado no real, aparecem no panorama literário português nomes como os de Agustina Bessa Luís, Soeiro Pereira Gomes, Alves Redol, Fernando Namora, José Cardoso Pires, Vergílio Ferreira, Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago e muitos outros que preenchem o chamado panorama moderno do romance português.
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