romance gótico

Género de romance, cultivado mais significativamente em Inglaterra e nos Estados Unidos da América, nos séculos XVIII e XIX, onde a presença de elementos sobrenaturais e criaturas grotescas cria uma atmosfera de mistério e terror. Associado com frequência ao conto fantástico, cujo paradigma literário é o escritor alemão E. T. A. Hoffmann, o romance gótico integra ainda outros elementos identificáveis com a mundividência romântica, nomeadamente devido à importância conferida a ambientes oníricos e carregados de tensão psicológica. O protagonista da história surge quase como um anti-herói, fragmentado interiormente e alienado da realidade que o cerca, por vezes buscando no sobrenatural uma explicação e um sentido para a sua existência.
Embora este género de literatura não tenha produzido um grande volume de obras, há nomes que lhe ficaram para sempre associados. The Castle of Otranto (O Castelo de Otranto, 1768), de Horace Walpole, é a primeira obra de referência do romance gótico e é normalmente utilizada para definir uma das principais características do género - a presença das ruínas de um edifício gótico. A ele seguiram-se obras como The Mysteries of Udolpho (Os Mistérios de Udolpho, 1794) e The Italian (O Italiano, 1797), de Ann Radcliffe, The Monk (O Monge, 1796), de Matthew Gregory Lewis, e Melmoth, the Wanderer (Melmoth, o Viandante, 1820) de Charles Robert Maturin. Outra obra de especial relevância é Frankenstein (1818) de Mary Shelley, obra em que a autora confronta os pensadores e cientistas do seu tempo com as injustiças sociais e os problemas éticos que se deparam aos avanços da investigação científica. Se a criatura de Frankenstein é uma vítima da cegueira e da maldade inerente ao Homem, o seu criador é, por outro lado, uma vítima da sua própria ambição de poder e conhecer.
Entre os expoentes máximos do romance gótico norte-americano contam-se Charles Brockden Brown e Edgar Allan Poe, este último também conhecido como o impulsionador dos contos de terror e do romance policial. Escreveu obras como The Fall of the House of Usher (A Queda da Casa de Usher, 1839), onde surge mais uma vez o motivo da queda de uma construção gótica - símbolo do que considerava a degradação moral da sociedade sua contemporânea.
A voga do romance gótico marcou também presença na literatura portuguesa do período romântico. Narrativas como Anátema e O Esqueleto, de Camilo Castelo Branco, O Castelo de Almourol, de L. A. Rebelo da Silva e A Última Dona de S. Nicolau, de Arnaldo Gama, apesar da sua desigual qualidade literária, merecem ser citadas a este respeito. Para além disso, alguns caracteres do género (como o gosto pelo macabro e pelo sobrenatural e as paisagens de ruínas) viram-se transferidos para a poesia e para o teatro. São exemplos desse fenómeno, na poesia, "O Noivado do Sepulcro", de Soares de Passos, "A Noite do Cemitério", de António Feliciano de Castilho, e "A Virgem e o Sepulcro", de Luís Augusto Palmeirim; no drama, Afonso e Virgínia, de António P. F. Aragão, e Camila no Subterrâneo, de A. X. Ferreira de Azevedo.
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